Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

 CODESP SOB CONTROLE EXTERNO


  
  A nova Diretoria da Codesp já está definida. Depois de meses de expectativa, foram anunciados os nomes dos diretores, que assumirão os cargos que estão sendo ocupados por uma Diretoria indicada logo depois do inicio do Governo Lula. Na ocasião houve uma composição política e os cargos foram ocupados por pessoas indicadas por determinadas lideranças políticas.
Por sinal, um método que vem de Governos anteriores. A cada mudança de Governo, entram os "acordos" para a ocupação  dos cargos nas empresas estatais. E na Codesp não foi diferente.
  São por demais conhecidos os resultados e encaminhamentos em vários setores onde ocorreram "composições" para atender conveniências dos Governos recém-empossados.
  No caso da Codesp, nesses quase cinco anos de exercício do mandato, a diretoria que deixa os postos passou por uma fase que merece algumas avaliações.
  Para começar, deve ser citado que apenas um dos cargos da direção estava sendo ocupado por um empregado, alguém que tem a experiência e os conhecimentos das atividades do principal e maior porto da América Latina. Os demais vieram de fora da Empresa.
  A Codesp passa por uma fase  de grande reformulação nos métodos de embarque e desembarque de mercadorias. Basta lembrar que nos idos de 1993 entrou em vigor a legislação que alterou o sistema portuário, com a liberação das operações que eram feitas pelos empregados da Estatal. O controle dos armazéns, a chamada capatazia  e as atividades desempenhadas pelos trabalhadores avulsos nos porões das embarcações passaram para a iniciativa privada.Naquele ano foi alcançado o movimento total de pouco mais de 25 milhões de toneladas de mercadorias.  A previsão para o ano em curso é que esse total deverá ser superior a 80 milhões de toneladas. Em paralelo, houve sensível redução do  efetivo funcional dos empregados da controladora. As operadoras que assumiram os vários armazéns por sua vez, não contrataram trabalhadores na proporção até então existente. A utilização de novos métodos de embarque e desembarque bem como o uso de conteiners trouxeram uma elevação dos ganhos das Empresas.
  Merece destaque também que a Codesp tem dívidas a receber de alguns usuários de seus espaços. E ao mesmo tempo tem dividas que se acumulam há vários anos. E por sua vez há ainda as divergências entre valores a serem destinados aos municípios nos quais são desenvolvidas atividades portuárias.
  É um quadro muito complexo. E consequentemente, quando se discute o controle, a indicação daqueles que vão dirigir a Empresa, não se compreende as razões das decisões serem tomadas  por determinados grupos, sem que os vários segmentos e representantes da comunidade sejam ouvidos e possam manifestar sua opinião.
  Dos diretores que estão sendo empossados, apenas um faz parte do quadro de empregados. Os demais já estão procurando saber como está a situação da Empresa. Ou seja, não conhecem ainda o quadro que vão administrar.
  Esta é a situação que merece algumas reflexões. A primeira delas é que a Codesp é uma empresa estatal. Está localizada numa região onde o Governo Federal tem representação em vários segmentos. Eles foram ouvidos? Outro ponto a ser destacado é que espera-se da nova direção a sensibilidade de estabelecer  o diálogo, promover os debates necessários para que ela esteja efetivamente vinculada à região onde está instalada. E que supere os vários impasses com negociações abertas de modo a criar o clima necessário para que seja mantido  o seu ritmo de crescimento,mas com reflexos também na economia  e em questões sociais da região. A Codesp é do povo brasileiro, logo...
 

Uriel Villas Boas - Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da Baixada Santista.
 

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