Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

É PRECISO MUDAR

 

A estrutura sindical brasileira é muito complexa. Sua origem data dos idos de 1800, quando ligas associações e mesmo sindicatos foram criados com a chegada  das levas de imigrantes europeus vinculados ao anarquismo e tendências de esquerda para cá vieram, para o trabalho na lavoura e também nas primeiras indústrias. Em muitos paises do Velho Mundo a agitação e movimentos de trabalhadores no inicio dos processos industriais mostrava a politização como reflexo das teorias sociais levantadas por vários estudiosos, como Marx e Engels. As teorias foram trazidas para os paises das Américas. Não se pode esquecer por exemplo que trabalhadores norte- americanos, em 1886, fizeram uma greve em Chicago, violentamente reprimida. Em homenagem aos líderes daquele movimento, que foram condenados à morte e executados, hoje comemora-se o dia 1° de Maio, como o Dia Internacional da Classe Trabalhadora. Uma  merecida homenagem aos denominados "mártires de Chicago". Os fatos relacionados às lutas operárias são muitos e extensos. E servem de embasamento para que se avaliem os acontecimentos daquela época com seus reflexos no momento atual. Um destes pontos por certo tem a ver com a estrutura sindical. Naqueles momentos, não se levava em conta detalhes que mais tarde vieram caracterizar nosso movimento sindical. Não havia a identificação da categoria preponderante como o principal sindicato de uma fábrica. E na fábrica não havia também a categoria diferenciada, ou os profissionais liberais. E nem os avulsos. Os trabalhadores se organizavam  em função da identificação com uma determinada ideologia. E não contavam com tantas minúcias em termos de formação de entidades. Isto veio a acontecer quando o Ditador Vargas criou as regras promulgadas em 1943, praticamente no fim de seu Governo. E as regras principais permanecem até hoje. Muitas tentativas de mudanças foram feitas, mas sempre esbarraram em interesses maiores, de grupos que de certa forma controlam o esquema, impedindo que as  mudanças venham a fazer do sindicalismo a liderança que os trabalhadores precisam. Este é um tema para uma discussão maior. A conjuntura econômica, a questão social está exigindo que os militantes operários, de todas as categorias avaliem quais os encaminhamentos se fazem necessários para o enfrentamento contra uma classe econômica que busca o aperfeiçoamento de métodos que aumentem os seus resultados. Sem estender demais o assunto, que avaliação pode ser feita em relação ao movimento sindical de nossa região? Quais os principais problemas? Quais as dificuldades específicas de cada categoria? As perguntas são muitas. E há uma necessidade de debates, de avaliações sérias, na busca da superação de divergências e o alinhamento de propostas comuns. Mesmo porque temos um sindicalismo que reflete bem o mapa sindical brasileiro. E consequentemente, se houver o discernimento necessário, a contribuição será  muito importante.


Uriel Villas Boas - Coordenador da CSC-Corrente Sindical Classista/Baixada Santista
 

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