Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

PORTO BATE RECORDES DE CARGAS MOVIMENTADAS


O primeiro semestre de 2011 foi muito movimentado no maior porto da América Latina. Foram dois os recordes alcançados no tocante ao movimento de cargas. O montante alcançou 45,6 milhões de toneladas operadas, o que significou um acréscimo de quase dois por cento em relação ao mesmo período do ano passado. E apenas em junho, foram 9,02 milhões de toneladas, cerca de 9.1% a mais que o mesmo período do ano passado.

São dados irrefutáveis, numa demonstração de que efetivamente são promissoras as perspectivas para as operadoras, cada vez mais levando vantagens nos investimentos que fazem. Merece ser citado um dado que foi a movimentação do período em que se iniciou a privatização, lá pelos idos de 93/94. O montante na ocasião chegou a 25 milhões de toneladas movimentadas. Se fazem necessárias então algumas colocações, entre as quais, o fato de que a Cia Docas, como era conhecida a dona do porto contar na época com um grande efetivo funcional. Eram categorias cujos trabalhadores eram vinculados à empresa, como no caso da administração, operários portuários, guardas e outras ainda, como os engenheiros e guindasteiros. E ao efetivo se somavam os avulsos sem vinculo empregatício, no caso os estivadores, conferentes, vigias e consertadores. Pois todo o efetivo passou por muitas mudanças de composição, mas não houve um aumento na proporção do movimento que passou para o controle das operadoras, que participaram da privatização. E esta é uma questão que precisa ser muito bem avaliada, na busca de encaminhamentos que permitam um aumento do efetivo e um ganho salarial, o que não está acontecendo. É preciso que os sindicalistas que representam os portuários tenham a sensibilidade de buscar a luta unitária. E até a possibilidade de criação do Sindicato único, para enfrentar o único sindicato que representa a classe patronal. Evidentemente que este é um tema complexo, que exige muito debate, muito discussão sobre todas as alternativas e objetivos. E mais, é uma situação que não se limita ao porto de Santos. E devem ser tentados os contatos com os portuários de outros países, na busca de informações sobre as formas de atuação, que deve levar em consideração a preparação dos quadros dirigentes e planos de luta. Como outro argumento deve ser colocada a forma como a classe patronal atua, seja em termos de buscar equipamentos mais sofisticados como não pode ser esquecido o fato de que há um grande desenvolvimento em perspectiva. |Já foram aventadas hipóteses de que nos próximos anos o porto venha a movimentar mais de 200 milhões de toneladas e isto não está longe de ser alcançado.

De forma objetiva, o movimento sindical portuário, que tem história nas lutas operárias brasileiras,não pode deixar de assumir esse grande desafio. E por certo vai contar com o amplo apoio de outras categorias. A questão está presente em cada momento, em cada fato relativo a atitude de organismos que lidam com as questões portuárias. E os trabalhadores não podem ficar nem como vítimas nem como meros assistentes. É preciso efetiva participação. E por certo isto vai acontecer.

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Uriel Villas Boas - Secretário de Previdência da FITMETAL/CTB.CGTB - 09.08.2011



 

 
 

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