Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

AS EXPERIÊNCIAS DA VIAGEM Á EUROPA

 

A visita a portos da Holanda e Bélgica por parte de uma delegação santista é uma questão que merece a devida atenção. Os representantes do Poder Público e dos operadores portuários foram acompanhados por vários integrantes das várias categorias de trabalhadores que atuam no nosso Porto.

Esta é mais uma etapa de um trabalho que tem como objetivo elaborar um projeto que leve em conta as condições de trabalho e também o treinamento para que as atividades sejam feitas com a devida segurança.

Mas como será o desdobramento do trabalho que está sendo feito? Cmo serão estabelecidas as regras e comportamentos de cada segmento? E objetivamente, o que se pretende com as visitas de portos de outros paises?

Bem, vamos aos fatos de forma direta. O Porto de Santos é o maior e mais movimentado da América Latina. E ao longo de sua história, passou pelas fases mais diversas, contribuindo de forma concreta para o nosso desenvolvimento. E nessas fases os trabalhos portuários foram submetidos a regras de acordo com o momento e também a conjuntura internacional. E em muitas ocasiões foram implementadas as novas sistemáticas que foram  criadas para aumentar a produtividade e consequentemente a obtenção de resultados cada vez mais positivos. Não é fácil dizer em que época o Porto de Santos não deu um resultado positivo. Ao contrário, raro foi o ano em que a produtividade ficou aquém das previsões.

A fase atual é uma seqüência da decisão adotada à partir de 1993, com a aprovação de uma legislação que permitiu que as atividades passassem a ser desempenhadas por concessão à Empresas portuárias, denominadas de operadoras. Foram distribuídos os vários armazéns mediante negociação com a Codesp, que permanece como a concessionária, como a dona do Porto. E não pararam as mudanças dos equipamentos e das características das embalagens das mercadorias. Um exemplo no caso, é o uso cada vez maior dos chamados "conteiners", bem como de modernos guindastes, que proporcionam grande rapidez na movimentação de entrada e saída das cargas.

Mas as inovações repercutem na quantidade da mão de obra que é requisitada para as diversas fainas ou tarefas. Praticamente desde o inicio das atividades nos Portos, em todo o mundo, que os trabalhadores demonstraram muita disposição de executar as variadas funções, mas exigindo a contrapartida em termos de ganhos salariais e outros direitos trabalhistas. As lutas dos portuários é internacionalizada, faz parte da história das lutas operárias de todo o mundo. Em Santos não foi diferente. Havia um radicalismo consciente, uma luta constante, mesmo nos períodos de grande repressão política. E foram conquistados muitos direitos que até hoje permanecem. Mas que correm o risco de serem retirados. A começar pela quantidade de trabalhadores que são requisitados para as equipes.  Os chamados avulsos, aqueles que movimentam as mercadorias no convés dos navios, não tem vinculo empregatício, ao contrário do que acontece com os que trabalham nos armazéns, identificados como capatazia.

As empresas operadoras insistem em tentar mudar o sistema. Em muitos pontos já reduziram direitos, entre os quais a composição as equipes de trabalho. Pretendem com a eliminação dos avulsos, contratar mão de obra direta. Isto tem provocado a resistência dos trabalhadores.

Na recente viagem à Europa, foram mantidos contatos com as administrações dos portos. E também foram entrevistados dirigentes sindicais. Discutiu-se como se dá o treinamento, a preparação dos trabalhadores. E quais os seus direitos. São subsídios que vão fundamentar os argumentos de ambas as partes. É uma etapa, uma fase, pois o tema tem várias interpretações. Por parte da classe empresarial, são conhecidos os métodos, com a ação constante de especialistas que buscam aumentar os rendimentos das empresas. O movimento sindical não pode ficar sem ação. Que não se limite ao discurso. É preciso avaliar os passos a serem dados, mas sem deixar de lado a mobilização e motivação dos trabalhadores, que são os principais  interessados na manutenção dos postos. O treinamento, os cursos que serão oferecidos tem a sua importância, pois melhor preparado, os ganhos serão maiores, com menos riscos.

Esta é uma etapa importante e que exige o discernimento e comprometimento de todos aqueles que tem um efetivo compromisso com um Porto cujos resultados positivos não sejam aproveitados apenas por algumas, mas por todas as partes envolvidas.  

Uriel Villas Boas - Coordenador da Corrente Sindical Classista - Baixada Santista

 

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