A onda de
privatização no final do século passado atingiu
as mais importantes atividades econômicas
brasileiras. O sistema bancário, as indústrias
petroquímicas, a área siderúrgica e muitas
outras foram praticamente entregues ao capital
privado. Um caso pode ser citado como exemplo de
privatização prejudicial ao Brasil. O leilão da
Vale do Rio Doce, considerada hoje uma das
empresas mais rentáveis no ramo da mineração foi
o que se pode considerar uma grande fraude. O
total apurado no leilão de suas ações não
ultrapassou 4.5 bi de dólares. Esse valor, nos
dias de hoje, é o lucro que a Empresa atinge em
alguns meses. Foi um presente do Governo FHC a
alguns grupos que se associaram e hoje ditam
regras no mercado consumidor, em contínua
expansão.
Mas a ânsia de
tomar conta de outros segmentos ainda persiste.
Uma manifestação recente da Confederação
Nacional da Indústria-CNI aponta para a
possibilidade de privatização do sistema
portuário. E em seu pronunciamento, integrante
da direção desse organismo empresarial aponta a
Codesp como um alvo prioritário. Pretendem tomar
conta do que ainda resta em termos de
administração dessa Empresa que controla o maior
porto da América Latina, onde a maioria das
atividades operacionais já está sob o comando de
empresas, muitas delas multinacionais. O
processo começou com a aprovação de uma lei nos
idos de 1993, que criou muitas facilidades para
que a iniciativa privada tomasse conta dos
nossos portos. Em Santos naquele ano, o
movimento operacional atingiu a marca de pouco
mais de 20 milhões de toneladas. Ao final do
ano em curso a previsão é que o movimento
supere a marca de 75 milhões de toneladas. E se
levar em consideração o número de
trabalhadores ou o ganho salarial, por certo
houve uma redução do efetivo e o rendimento não
subiu na mesma proporção.
Por coincidência,
o assunto é levantado num momento em que as
atenções estão voltadas para as festividades de
final de ano. Os parlamentos estão em recesso. É
um momento escolhido para que a repercussão seja
a menor possível. A região precisa dar o exemplo
de resistência. E a luta não tem a ver apenas
com o trabalhador portuário. Todos aqueles que
não aceitam a imposição do capital explorador
sobre os direitos que atingem toda uma
comunidade, precisam estar juntos neste
momento. É um grande desafio para começar o novo
ano.
Uriel Villas Boas -
Coordenador da Corrente Sindical Classista - Baixada
Santista
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