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As atividades num Porto, por menor que seja a sua extensão, envolve um
grande número de trabalhadores das mais diferentes categorias. Algumas
delas tem uma característica toda especial. Como os "avulsos", no caso
aqueles que trabalham na carga e descarga dos navios. Não tem vinculo
empregatício e percorrem todos os armazéns, numa escala de rodízio. As
demais atividades são cobertas por empregados hoje vinculados às
operadoras, as concessionárias que ganharam as concorrências e passaram
a administrar áreas que estavam sob a jurisdição da Codesp. Há muitas
atividades mais. Um dia num porto como o de Santos reúne milhares de
pessoas. E um assunto merece um destaque maior. Ao longo de dezenas de
anos os trabalhadores portuários, com vinculo empregatício ou não,
sempre deram demonstração de organização na luta pela conquista de
direitos trabalhistas. Os vários sindicatos mostraram visão política de
modo a exercer a pressão necessária. E em muitas ocasiões, as lutas
superaram muitas barreiras ideológicas. A unidade dos sindicatos
permitiu atingir objetivos que em certos momentos pareciam quase
impossíveis. O momento está exigindo a superação de toda e qualquer
divergência. As operadoras investem em tecnologia, e se anunciam
sensíveis modificações no sistema de operação portuária. Como
conseqüência é prevista a redução do efetivo operário. Sem contar que
são feitos estudos para que além da redução dos efetivos, sejam feitas
contratações, vinculando o trabalhador à Empresa concessionária. Os
avulsos ficam então sem o tipo de atividade que desempenham hoje.
Os fatos são estes e muito discussão é necessária para que se encontre
uma forma de enfrentamento conjunto. É importante, portanto que a classe
trabalhadora portuária supere divergências,buscando a unidade de outros
tempos. É preciso buscar o sindicato único, com a devida
representatividade de todas as categorias. Não é um processo fácil. Mas
a classe trabalhadora, ao longo dos séculos, nunca encontrou
facilidades. O simples fato de se promover o debate sobre esta
possibilidade já vai motivar a preocupação da classe patronal.
Portanto, quanto mais rápido se começar a discussão, o debate sobre um
tema muito complexo, maiores serão as chances de se encontrar a forma da
unidade.O tema comporta outros argumentos, não está encerrado.
Uriel Villas Boas - Coordenador da
CSC-Corrente Sindical Classista da Baixada Santista.
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