As privatizações das empresas
estatais feitas duranrte os governos de Itamar Franco e Fernando
Henrique causaram muitos prejuizos finaceiros ao patrimonio
público. Qualquer leigo pode constatar que os bancos, as
siderúrgicas, as hidrelétricas e em todos demais ramos
atingidos, houve uma verdadeira entrega do que foi construido
com o dinheiro do povo. E que em muitos casos havia mesmo uma
administração inadequada. Quem adquiriu tais patrimônio levou
muitas vantagens. O exemplo mais flagrante está caracterizado no
leilão da Vale do Rio Doce. O valor que o Poder Público recebeu
depois do leilão é um lucro que a Empresa aufere em poucos meses
de operação, da exploração e venda do minério de ferro e outros
tipos de produtos.
Mas há uma questão que não é muito
explorada em relação às privatizações. É que em todos os casos,
sem nenhuma exceção, houve uma verdadeira caça às bruxas.
Sabe-se que muitas estatais eram verdadeiros cabides de emprego,
usadas para os conchavos de quem detinha o poder político. E os
apaniguados por sua vez, não perdiam a oportunidade de encher os
quadros das empresas de nomes de suas relações. Que ocupavam
cargos muitas vezes sem o devido conhecimento. Mas ganhavam bem
e o mesmo acontecia com os seus indicados. Mas a situação era
diferente com os trabalhadores, com aqueles que exerciam cargos
na área de produção ou administração.E que sofrem as
consequências das más administrações.As demissões em massa de
trabalhadores mostraram os objetivos de quem adquiriu as
empresas.
Bem, estamos agora diante de uma
situação mais ou menos igual. A Codesp é uma estatal, e tem
como tarefa principal a coordenação de todos os trabalhos na
área portuária santista Uma empresa que já teve um grande
efetivo funcional, hoje está limitada ao mínimo, em razão de uma
lei aprovada no Congresso Nacional em 1993, a lei 8630 que mudou
por completo a situação no maior porto da América Latina. Hoje a
movimentação das cargas que chegam ou que saem do porto é feita
por operadoras, empresas nacionais ou de ligações
internacionais, que contam com amplas possibilidades de grande
faturamento.
Mas os fatos ocorridos desde a
posse da atual diretoria é que estão levando ao entendimento de
que há como que um processo de privatização da Codesp. As seis
demissões que ocorreram, num estilo autorítário serviram de
alerta. E motivaram a mobilização dos portuários. E seus
sindicatos representativos foram à luta, evitando novas
demissões, além de exigir a rediscussão dos casos ocorridos, na
busca de uma solução negociada. Esta luta está contando com a
solidariedade de muitas categorias de trabalhadores, através dos
Sindicatos e suas Centrais Sindicais, bem como da classe
politica e de outros segmentos sociais.A diretoria da Codesp tem
responsabilidades,claro. Dirigir uma empresa de grande porte é
da maior importante e exige mujito de seus dirigentes. Mas
também o discernimento e a busca do diálogo com a comunidade
como um todo. O que não está acontecendo. Mas precisa
acontecer.
Uriel Villas Boas - representante da
CTB - Baixada Santista
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