A luta operária ao longo dos séculos desde
a revolução industrial sempre encontrou muitas dificuldades para levar
adiante seus projetos. De um lado a pressão patronal. Que nunca deixou
de buscar formas de impor suas condições, tendo como base que a lei
favorecia e até hoje ainda permite as demissões sem justa causa.E esta é
uma arma poderosa na mão dos patrões Estes ainda levam a vantagem de
que muitos trabalhadores desconhecem seus direitos, pois estão mais
preocupados em assegurar uma vaga numa empresa. E por outro lado, as
entidades sindicais com as excessões de sempre,. não dão muito valor à
informação, que é uma exigência para a organização.Percebe-se então que
a maioria absoluta das entidades em todos os níveis não tem uma
estrutura adequada para a elaboração de material de divulgação que leve
em conta o público a que é dirigido. O tempo vai passando e os
trabalhadores, desinformados, perdem direitos ou não se politizam
adequadamente.. Tem sindicato cuja direção age de forma amadora. Mas há
alguns casos de direções que atuam como se fossem representantes de uma
tendência política radical e consequentemente emitem boletins, jornais e
documentos com um palavreado distante da realidade da base a que se
destinam E os patrões aperfeiçoam os mecanismos de informar aquilo que
é de seu interesse. E contam para o seu trabalho com profissionais que
são recrutados em universidades que formam muita gente a cada ano.E
esses profissionais aperfeiçoam seus conhecimentos com um interesse
específico que é o de disputar um mercado de trabalho com vagas muito
escassas.Do lado operário há exemplos claros de experiências promovidas
por muitas entidades. Que contratam profissionais bem intencionados e
competentes para implementar seu trabalho. São tarefas que não se
limitam a elaboração de simples boletins. Vão além, criando programas de
rádio, jornais regulares, personagens característicos, enfim, uma
estrutura profissional adequada, para conseguir disputar o espaço
da informação com a estrutura patronal.
Há detalhes que não podem ser omitidos
numa avaliação sobre este assunto. Em primeiro lugar por certo, está o
nível do profissional e do material que elabora. Em seguida vem a
regularidade, pois os materiais não podem ser preparados e distribuídos
de forma aleatória. E em seguida vem os objetivos a serem atingidos.
Como entender por exemplo, que uma campanha salarial não conte com
boletins especiais, com a divulgação da pauta que está sendo o objeto da
luta? Como ignorar que em algumas categorias há operários das mais
diferentes formações culturais e portanto, o estilo do material tem de
levar este detalhe em consideração, para estimular a leitura?
Bem, a questão é muito ampla e precisa
levar ainda em consideração uma questão, ou seja, é preciso incentivar o
estudante a pensar na possibilidade de trabalhar numa área muito
desafiadora. A junção de interesses é muito grande. O tema é muito
envolvente e há ainda outros argumentos a serem considerados. Mas em
qualquer situação, o ponto fundamental é que a informação precisa
ser colocada como uma grande prioridade. Se isto não acontecer, os
operários estarão lutando com certa desvantagem. A luta exige que os
trabalhadores conheçam seus direitos em detalhes. Por certo é mais um
desafio que a classe operária preparada pode superar.
Uriel Villas Boas - Representante da CTB -
Baixada Santista
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