O porto de Santos é considerado o
maior da América Latina. Isto se dá em função de suas dimensões, que
permite um grande movimento de navios que trazem e levam mercadorias
das mais diferentes procedências. E também recebem navios de
passageiros.E apesar do problema do calado, o porto passa por um
processo de aumento constante de movimento. Ao longo da história do
porto, os trabalhadores das categorias de avulsos e também aqueles
que eram vinculados à antiga Docas, hoje Codesp, sempre marcaram
presença pela intensa ação reivindicatória.Os trabalhadores contavam
a seu favor com a capacidade profissional demonstrada em várias
situações, o que ajudava na fundamentação de suas reivindicações.
Muitas conquistas
importantes aconteceram tanto através da negociação como também
pela pressão de movimentos grevistas. O nível de politização da
militância merecia respeito e dava condições de mobilização. Em
várias oportunidades ocorreram atos de repressão, em função do
estilo de governos da ocasião em que aconteciam os movimentos. E
isto se dava tanto em nível de governo federal como também do
governo do Estado.
Com o passar dos
anos, a exemplo do que aconteceu em outras categorias, vieram as
dificuldades provocadas pela organização patronal. A principal, por
certo, a redução dos postos de trabalho. Não faz muito tempo, o
efetivo que trabalhava no cais santista era de mais de 18 mil
trabalhadores. Que auferiam um ganho condizente com as funções que
desempenhavam.
Nos tempos atuais
o quadro mudou. E muito. Desde que foi implantada a lei 8630 nos
idos de 1993, as operadoras que assumiram a administração dos vários
armazéns introduziram mecanismos de funcionamento com determinado
grau de automação. Os equipamentos modernos substituem a mão de
obra. Daí constatar-se que hoje pouco mais de 8 mil trabalhadores
estão cadastrados para desempenharem as funções portuárias. É um
fato preocupante, pois esse número pode diminuir ainda mais. E com
um agravante qual seja, a utilização de mão de obra vinculada ao
quadro funcional das operadoras.
Constata-se então
que a ameaça é muito séria. Além da perda do posto de trabalho, o
portuário que conseguir trabalhar não vai conseguir um rendimento
adequado. É uma situação que assume um potencial explosivo. E que
exige uma avaliação dos vários segmentos envolvidos nas operações de
um porto que a cada ano atinge números recordes de movimentação de
carga.
Os operadores, por
seu lado, não tem de que reclamar . E ainda não demonstraram a
preocupação de discutir a questão levando em consideração a
repercussão que uma ação baseada apenas no interesse econômico
pode acarretar.
Ainda há tempo
para que os vários segmentos vinculados ou não às atividades
portuárias avaliem os possíveis desdobramentos. E que sejam feitos
todos os esforços para que todas as partes envolvidas, nas
negociações encontrem a situação ideal.
Uriel Villas Boas - Coordenador da
CSC-Corrente Sindical Classista da Baixada Santista.
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