Os portuários brasileiros
pararam as atividades no dia 16. A únicas exceção foi o
Porto de Santos. Foi uma greve que teve como objetivo
básico a demonstração de que os milhares de
trabalhadores que movimentam milhões de toneladas de
mercadorias não estão de acordo com as medidas tomadas
pelos operadores em relação a um mercado de trabalho que
a cada dia apresenta mais redução de vagas. Em muitas
oportunidades os portuários estão manifestando o
inconformismo com um desrespeito flagrante aos seus
direitos. As Empresas insistem em buscar formas de
burlar uma legislação que faz parte da história. Os
trabalhadores avulsos gozam do direito de ocupar os
postos para movimentação das cargas. E o fazem inclusive
com muitos riscos, como o comprovam os inúmeros
acidentes fatais. Mas as operadoras que passaram a
desempenhar tarefas que antes eram privativas das
empresas estatais, estão trazendo equipamentos cada vez
mais sofisticados. E aumentando a movimentação de
mercadorias sem no entanto evitar que aconteçam
acidentes. Nunca é demais citar que no maior porto da
América Latina nos idos de 1993 foram movimentadas cerca
de 25 milhões de toneladas. No ano passado a tonelagem
movimentada ultrapassou os 70 milhões. E as perspectivas
nos próximos anos é elevar esse total para mais de 100
milhões de toneladas. E sem que aja uma elevação
proporcional dos postos de trabalho. Mas os
trabalhadores tem outras reivindicações, entre as quais
o direito de fazerem multifunções e também gozar da
aposentadoria especial.
A greve do dia 16 foi um recado direto ao Governo
Federal e também à classe patronal. Está mais do que
provado que não há negociação sem pressão, sem que os
patrões sintam a mobilização dos trabalhadores. Na
avaliação dos dirigentes sindicais portuários a greve
foi um passo importante. Inclusive o Governo Federal
tentou evitar o movimento paredistas, convocando os
sindicalistas para negociar alternativas. Mas não as
negociações não surtiram o efeito desejado. Como se
houvesse um retorno às origens, o movimento sindical
portuário age de forma conjunta. E manda o recado de que
exige respeito.
Colaboração de Uriel
Villas Boas - CTB - CSC Baixada Santista
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