As categorias de
trabalhadores de um porto brasileiro diferem em muitas
condições daquelas que ocupam os postos de trabalho nas
demais atividades, sejam elas numa linha de produção,
nos escritórios, na construção civil ou manutenção em
suas várias formas.E outras atividades e também nos
serviços públicos. Os principais postos de trabalho nos
portos são ocupados pelos denominados "avulsos", ou
seja, trabalhador sem o vínculo empregatício. Embora com
vários direitos de um trabalhador comum, sua jornada de
trabalho é bastante diferenciada. Se não comparecer para
uma jornada por exemplo, ele é substituído e não tem
qualquer problema com aquele que seria seu empregador.
Evidentemente que há outras obrigações, mas no essencial
o trabalhador avulso goza de algumas vantagens,
conquistadas em muitos anos de luta e sacrifício.
Mas não há como negar que
os avulsos estão preocupados com o seu futuro, pois como
qualquer atividade os portos passam por profundas
modificações, fazendo adaptações com o uso cada vez
maior da tecnologia. Que é empregada na forma como são
transportadas as mercadorias. Os containeres e outros
equipamentos substituem em muito a mão de obra portuária
o que aumenta cada vez mais o rendimento das operadoras
portuárias, pela rapidez como um navio é carregado ou
descarregado. E consequentemente a requisição do
trabalhador avulso vai diminuindo, produzindo um efeito
devastador num mercado de trabalho muito disputado. Há
muitos programas de preparação do trabalhador avulso,
que antes limitava-se a carregar as mercadorias usando
de alguns artifícios e costumes, e uso posterior de
equipamentos. As operadoras agora tentam contratar mão
de obra com vínculo empregatício. Mas há resistência
quanto a esse tipo de contratação e alguns movimentos
estão sendo implementados, como forma de provocar a
negociação na busca de alternativas.
A situação é muito
desgastante. E não se percebe por parte de setores que
controlam as atividades portuárias a preocupação senão
com a imposição de regras a partir da visão empresarial.
Estamos diante, portanto, de um quadro que pode
desembocar em confrontos se não houver a abertura do
diálogo que é mais do que necessário para que sejam
encontradas as soluções para o impasse que se apresenta.
Uriel Villas Boas -
Secretário Sindical - CTB - Baixada Santista.
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