O sistema capitalista
usa determinados procedimentos que tem sempre o
objetivo de defender interesses. Que infelizmente
atendem a uma minoria de privilegiados. E mesmo
nesse sistema que há alguns milhares de anos domina
o mundo há as divisões e procedimentos que levam em
conta a esperteza de quem sabe como e onde ditar
regras. Não é preciso ir muito longe. Nas últimas
semanas houve uma balançada no mercado especulativo,
com a crise em algumas empresas seguradoras norte
americanas. O fato teve repercussão nas bolsas de
valores dos mais diferentes países. E levou ao uso
de muitos instrumentos, principalmente por parte de
organizações governamentais como no caso do FED, o
banco central norte americano. Desde que a crise
estourou, muito se especulou sobre a possibilidade
de crises muito sérias, com efeitos dramáticos na
economia mundial. Mas governos de vários paises
liberaram recursos para desafogar as empresas
falidas e com isto dominar uma possível debacle
total. Os fatos levam a algumas reflexões. A
primeira delas, sem dúvida, tem a ver com a cobrança
de explicações sobre os motivos pelos quais o
sistema financeiro e bancário tem tanta proteção. Em
segundo lugar, por que não se usa o mesmo critério
em se tratando de outros setores da economia? Se há
risco de falência de uma montadora de automóveis, um
grande estaleiro por exemplo, a proteção é a mesma?
E por fim, até quando vamos continuar assistindo a
essa pantomima, aceitando a atitude de especialistas
comprometidos com o capitalismo que defendem
inclusive as medidas que estão sendo tomadas? É
preciso admitir que efetivamente o capitalismo
interessa a quem tem o dinheiro e que não tem
preocupação nenhuma com o social e apenas com o
lucro.
Uriel Villas Boas -
Secretário Sindical - PCdoB - Santos