A greve é a grande arma da classe
trabalhadora em todo o mundo. A paralização
das atividades causa prejuízos que os
patrões querem evitar a todo o custo. E
patrão no caso pode ser de empresa privada
ou estatal. E também do serviço público. No
caso da empresa privada o lucro é o grande
objetivo. Nas empresas estatais está em jogo
o resultado mas também o atendimento em
atividades essenciais. E no serviço público
é levado em consideração quase sempre, o
atendimento à comunidade.
Atualmente
duas greves chamam a atenção. No primeiro
caso deve ser citado que os membros da
policia civil do Estado de S.Paulo
paralizaram as atividades depois da
intransigência do Governo em atender as
reivindicações que apresentaram há vários
meses. De forma suscinta deve ser
esclarecido que a estrutura da policia
civil exige através dos sindicatos que
representam as várias funções o
reconhecimento do trabalho que desempenham.
E tem uma justificativa mais do que
fundamentada, ou seja, o nível salarial do
Estado mais rico da Federação é dos piores
em termos de comparação com Estados cuja
economia tem nível bem menor. Os argumentos
dos negociadores estaduais não são
convincentes. No caso perde a comunidade,
com o aumento da insegurança já que a
policia civil tem como base essencial a
investigação preventiva. Até quando essa
situação vai perdurar? É a pergunta que a
população de todos os níveis deixa para o
Governo do estado responder.
Mas outra
greve também merece ser devidamente
avaliada. É a greve nacional dos bancários,
cuja data-base de renovação do Acordo
Coletivo é setembro. Estamos quase na metade
do mês de outubro e a classe patronal
ofereceu um percentual bem abaixo das
pretensões dos trabalhadores. Que deram a
resposta, parando as atividades mesmo
sabendo-se que em cada agência bancária há
todo um sistema repressivo. Deve ser
acrescido como argumento que a categoria
bancária trabalha em estabelecimentos que
apresentam resultados positivos, permitindo
que os banqueiros possam apresentar uma
proposta à altura dos rendimentos que
auferem. E mantendo os resultados, os lucros
sempre crescentes. De uma certa forma, a
comunidade tem apoiado a luta dos bancários,
manifestando compreensão com as dificuldades
que encontra para algumas ações diárias..
Nos dois casos
citados fica a pergunta inevitável, ou seja,
será que não falta nos dois casos a grandeza
de atuação dos organismos que encaminham as
negociações? Fica a impressão que há um
esquema tentando desmoralizar a luta das
duas categorias. Mas com todo o desgaste que
possa ocorrer, uma greve sempre deixa
questões a serem analisadas pelos
trabalhadores, contribuindo para elevar o
nível de politização.
Uriel Villas
Boas - CTB - Baixada Santista