|
|
|
|
 |
|
Uriel Villas Boas
Coordenador da Corrente Sindical Classista
- CSC da
Baixada Santista. |
 |
UMA DATA
QUE PASSOU EM BRANCO
|
A Consolidação das Leis do
Trabalho, mais conhecida
como CLT, comemorou mais um
ano de entrada em vigor. No
dia 10 de novembro o
conjunto de leis que ditam
os procedimentos a serem
observados nas relações de
trabalho completou 65 anos
de vigência. Para muita
gente a CLT foi promulgada
em 1º de Maio de 1943,
quando o então ditador
Getúlio Vargas promoveu uma
manifestação no estádio do
Vasco da Gama, no Rio de
Janeiro. Eram milhares de
pessoas convocadas pelo
ditador, em plena segunda
guerra mundial, querendo
mostrar sua ligação com a
classe trabalhadora. Até
então a legislação
trabalhista era esparsa.
Leis foram criadas nos anos
anteriores tanto pela
pressão do movimento
operário como também pelos
organismos
ditatoriais. Muitas delas na
busca de formas de manter um
efetivo controle do
sindicalismo. Vargas juntou
todas as leis e na CLT foram
colocadas também as regras
de funcionamento dos
sindicatos. Até então as
entidades atuavam dentro de
determinações de cada
conjunto de trabalhadores, o
que se constituía num perigo
para o regime ditatorial.
Nesses 65 anos de existência
a CLT teve algumas
modificações. Mas sem
alterar muito os
procedimentos que deveriam
servir como proteção ao
trabalhador Mas
infelizmente essa proteção
não acontece como deveria
ser prática. Uma das razões
sem dúvida, tem a ver com o
nível de despolitização e
falta de informação de
milhões de obreiros que
chegam a um mercado de
trabalho cada vez mais
difícil. E encontram também
uma classe patronal que
conhece os limites de sua
ação contra ou a favor do
empregado. E usa de seu poder
de comando muitas vezes de
forma irregular Em muitos
aspectos a CLT está
ultrapassada. Mas por outro
lado, falar em mudanças não
é o momento adequado. Há um
quadro de muita pressão
sobre o empregado das formas
mais variadas. A classe
patronal inclusive defende
mudanças, alegando que a CLT
atrapalha a competitividade.
Facilmente se deduz que são
alguns direitos históricos
que eles querem suprimir. E
num momento de crise do
capitalismo internacional,
falar em mudar regras da CLT
é abrir campo para a sua
derrocada.
De qualquer forma, os
sessenta e cinco anos da CLT
deveriam ter sido
comemorados, no mínimo com a
realização de palestras e
debates por parte do
movimento sindical mais
combativo. Ela é um ponto de
partida para a evolução da
organização operária, sem a
qual direitos não são
conquistados nem mantidos.
Uriel Villas Boas -
Secretário Sindical - PCdoB
- Santos - CTB REgional
LEIA TAMBÉM:
|
|
|
|
|
|
|