Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

NÃO TEM O QUE COMEMORAR


O dia 24 de janeiro foi fixado como a data para homenagear os aposentados brasileiros. Que efetivamente merecem uma atenção especial, em primeiro lugar pelo fato de ter participado com seu esforço para construir o progresso que precisamos. Se isto ainda não aconteceu por certo isto não pode ser debitado  à classe operária. Por outro lado, é preciso que se façam algumas  observações. Uma data especial deve ser comemorada quando há razões que justifiquem. O que não é o caso atual. Os aposentados não podem dizer que estão tranqüilos e satisfeitos com a situação que estão enfrentando. E uma primeira questão tem a ver com a sua subsistência. Depois de muitos anos de trabalho a aposentadoria deveria ser como um prêmio, um reconhecimento. Mas depois de anos de aposentadoria o operário, o trabalhador das mais diferentes categorias percebe que não tem o ganho suficiente, pois a cada ano uma lei, uma portaria emanada dos gênios da economia vão retirando parcelas dos valores devidos. E atualmente temos uma situação concreta, ou seja, há projetos tramitando no parlamento, mais precisamente na Câmara dos Deputados, que enfocam duas questões básicas para o aposentado. Um projeto pretende recompor as perdas. Tramitou por cinco anos  no Senado. O outro, projeto objetiva conceder os reajustes nos mesmos percentuais do salário mínimo. Ambos aguardam a tramitação regimental e sua pautação para ser votado. Mas há muitos problemas e o principal deles é a decisão do governo de vetá-los, caso sejam aprovados. Mas até que sejam pautados vai correr muito tempo, sem contar que podem sofrer emendas, o que os devolverá para o Senado. É  preciso portanto que os aposentados tomem conhecimento e saibam o que pode ocorrer. E não se iludirem com manifestações esporádicas ou localizadas em determinada região. É preciso uma mobilização nacional, com a superação de divergências e questões pessoais. Por sinal, quando estava na ativa, o, aposentado discutia sua situação em assembléias. É preciso fazer isto novamente.

Se cada entidade de aposentados promover assembléias, discutindo propostas objetivas, o quadro pode mudar. Ainda é tempo. Passada a data, passado o dia, começa o ano do aposentado. Todos juntos somos fortes.

Uriel Villas Boas - CTB - Baixada Santista


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