A preservação do meio-ambiente
não é mais a bandeira de luta apenas de ativistas. Não faz
muito tempo, os ecologistas eram tidos e havidos como
sonhadores. Eram intransigentes na defesa de medidas
que evitassem o aumento da degradação a que a natureza
estava sendo submetida. Os tempos mudaram. Hoje, em todo o
mundo sem exagero, há muita gente que assumiu essa luta. É a
tentativa de conseguir estabelecer limites para as atitudes
que reduzem a qualidade de vida e que podem tornar cada vez
mais difícil a vida do ser humano.
Em 1992,
uma Conferência Internacional realizada no Rio de Janeiro,
denominada de ECO 92, estabeleceu alguns procedimentos a
serem adotados no sentido de envolver não apenas o Poder
Público, mas sobretudo as comunidades. É o trabalho de
conscientização da base, daqueles que lidam no dia a dia com
ambientes que sofrem com ações predatórias. A intenção é
sobretudo despertar o interesse e a conscientização, medidas
necessárias não apenas para a fiscalização e o controle, mas
também para a recuperação do que estiver destruído. O
movimento foi denominado de Agenda 21, sendo este número a
identificação do ano que é referência da luta pelo meio
ambiente protegido.
Algumas
organizações populares aceitaram a convocação para discutir
a implementação da Agenda 21 de Santos, uma continuação do
trabalho realizado em 1993 e que foi interrompido por vários
motivos.
Nos dias
28 e 29 de setembro, no SENAC, foram realizadas plenárias
para definir o trabalho a ser implementado. E a meta é a
Conferência que vai configurar o trabalho das organizações
comprometidas com a Agenda 21. Há uma participação
pluralista. Entidades de vários segmentos sociais, o Poder
Público Municipal e a iniciativa privada vão estar juntos
apresentando e discutindo propostas e encaminhamentos.
Um exemplo
pode ser mencionado, qual seja, a situação do porto em
relação ao meio ambiente. Quais as medidas que podem ser
adotadas para que as atividades portuárias não causem
problemas. Um exemplo pode ser citado que é a situação da
necessidade de dragagem do Canal do Estuário, de modo a
permitir a entrada de navios de calados maiores. Por que a
dragagem? Por que vai retirar detritos e material que reduz
a profundidade do canal. Esta retirada não se limita ao uso
indiscriminado de equipamentos apropriados. E também não
pode se limitar a um trabalho eventual. E mais, é preciso
que se adotem medidas de conscientização para que toda a
comunidade evite jogar material que podem poluir suas águas.
É preciso discutir também que medidas podem ser adotadas
para evitar que dos navios caiam materiais que também podem
destruir a vida marinha. Ou seja, a Agenda 21 vai enfocar
muitas questões relativas ao porto.
A
expectativa é que muita gente participe do encaminhamento
dos trabalhos trazendo propostas e mais, assumindo
compromissos de efetivo envolvimento numa luta que tem como
fundamento principal a preservação da natureza. E por
conseqüência, da vida.