Ao
longo da
história
operária,
desde o
tempo em que
o estivador
levava as
sacas de
café do cais
até o porão
do navio,
muita coisa
aconteceu na
área das
relações
capital-trabalho
no porto de
Santos, o
maior da
América
Latina. Lutas
que tiveram
influência
decisiva nas
lutas
operárias de
outras
categorias.
Hoje os
modernos
equipamentos
proporcionam
elevados
ganhos às
empresas operadoras,
com a
consequente
redução do
efetivo de
trabalhadores.
E colocam em
risco também
conquistas
trabalhistas como
no caso da
classificação
como
trabalhador
avulso, sem
vínculo
empregatício.
O que de
certa forma
é um
estímulo
para
quem não
aceita a
imposição de
normas
impostas
pela classe
patronal. Mas
além dos
avulsos o
porto é
movimentado
também pelo
pessoal
contratado
pela
administradora
do Porto, a
antiga
Docas , hoje
denominada
como Codesp. Em
um tempo que
não vai
muito longe,
eram quase
30 mil
trabalhadores
que exerciam
funções
regulares na
orla
portuária.
Nos dias
atuais o
quadro da
Codesp está
reduzido a
pouco mais
de dois mil
contratados
de forma
direta. É
uma situação
muito
preocupante.
E que faz
lembrar um
acontecimento,
uma data por
demais
importante,
denominada
muito
corretamente
de "Dia da
resistência portuária".
Tudo começou
com o
governo
Collor nos
idos dos
anos 90. Seu
principal
investimento
político foi
justamente a
implementação
de
uma política
econômica
onde o
neoliberalismo
era a grande
bandeira. Os
planos
econômicos
foram colocados
em prática e
em menos de
dois anos
causaram
grandes
perdas a
toda a
economia. Os
portuários
por exemplo,
calcularam os
prejuízos
nos seus
salários em
mais de
158%. E na
campanha para
renovação do
acordo
coletivo no
mês de
fevereiro de
1991
apresentaram
o índice
como
reivindicação
de reajuste
salarial.
Que foi
negado. A
Empresa
recusou-se a
atender
Teve inicio
então uma
greve que
paralisou
todas as
atividades
portuárias.
A Codesp ajuizou
um dissídio
coletivo
junto ao
Tribunal
Regional do
Trabalho. A
greve foi
considerada
ilegal e os
juízes
fixaram o
reajuste em
33%. Mas
determinaram
o imediato
retorno ao
trabalho. Os
sindicatos
em
assembléias
massivas
recusaram a
proposta e
mantiveram a
greve. No
estilo
neoliberal, à
partir de 20
de fevereiro
carteiros
começaram a
entregar
cartas na
residências
dos
portuários,
com a
comunicação
de que o
destinatário
estava sendo
demitido por
justa causa.
O número de
demitidos
chegou a
5372.
A Prefeitura
de Santos
passou a ser
um quartel
general do
comando de
greve. E
todas as
tentativas
de
negociação,
inclusive
com a ida de
uma
delegação a
Brasília liderada
pela
Prefeita
Telma de
Souza, juntamente
com dirigentes
sindicais,
deputados e
vereadores
não surtiram
efeito. Até
que em 28 de
fevereiro,
sob o
comando do
Fórum
Sindical
toda a
região parou
em apoio aos
portuários.Uma
greve geral
ordeira e
pacifica E
no mesmo dia
uma
comunicação
veio de
Brasília,
suspendendo
as
demissões. A
data desde
então é um
marco sempre
relembrado
em
comemorações
que não são
apenas dos
portuários e
seus
familiares.
É de uma
amplitude
maior, pela
demonstração
de
sensibilidade
política de
toda uma
comunidade
que não
negou o
apoio
solicitado
por uma
categoria de
trabalhadores.
E que até
hoje provoca
reflexões
sobre a
importância
da unidade e
mobilização
de todos os
que sentem
os reflexos
de ações que
podem
prejudicar a
economia e
refletir em
aspectos
sociais da
comunidade.
A data
precisa ser
comemorada e
mais, ser
bem avaliada
diante do
quadro muito
semelhante
que vivemos
hoje.
A propalada
crise
econômica
tem levado
empresas dos
mais
diferentes
segmentos a
demitirem
centenas de
empregados.
E as lutas
levadas a
efeito pelos
sindicatos
que
representam
os
trabalhadores
dessas
empresas, de
certa forma
tem sido
feitas de
forma
isolada. O
que torna
muito
difícil a
obtenção de
resultado
positivo.
Mais do que
nunca se faz
necessária a
reflexão
sobre a
importância
da luta
conjunta,
com a
participação
de
sindicatos e
suas
centrais, da
classe
política,
dos vários
movimentos
sociais,
numa ação
que vai ter
resposta
positiva. É
o
aproveitamento
da
experiência
das lutas,
da
resistência
portuária. E
quanto antes
isto
acontecer,
maiores
serão as
perspectivas
de
resultados
positivos.