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Uriel Villas Boas
Coordenador da Corrente Sindical Classista
- CSC da
Baixada Santista. |
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MAIS CARGAS, MENOS EMPREGOS |
O
movimento de cargas no Porto de Santos dentro de mais
algum tempo pode atingir mais de 100 milhões de
toneladas. Apenas para comparação, ainda em 1995 esse
total era de pouco mais de 25 milhões de toneladas.
Temos então duas questões que chamam a atenção. No
primeiro caso está a evolução da movimentação, que
proporcionou resultados positivos às Empresas que
assumiram o controle das plataformas portuárias. Isto se
deu em razão da privatização determinada por uma lei
promulgada em 1993. A outra questão que merece ser
citada é o fato de que a menção à tonelagem que se
pretende seja atingida, tem vinculação com o nosso
desenvolvimento. É o crescimento efetivo da economia
brasileira. As 100 milhões de toneladas estarão
distribuídas tanto em termos de importação como de
exportação. É pena que muitos desses produtos exportados
não contem com o valor agregado que teria uma
repercussão positiva para a nossa economia. Qualquer
produto primário ao ser transformado em equipamentos ou
outro material de consumo, demanda pesquisa, instalação
de máquinas, geração de empregos. Mas esta é uma etapa
que ainda pretendemos que venha a ser atingida num
futuro não muito distante.
Mas há
outro ponto a ser destacado. É que a atividade portuária
na região não vai ficar restrita ao porto de Santos. E
nem também ao outro porto já em funcionamento,
localizado em S.Sebastião. Um grande grupo empresarial
com atividades em vários setores tem um projeto de
instalação de um porto na cidade de Peruibe. Os estudos
estão sendo feitos para que sejam superadas questões
relacionadas com o meio ambiente e também com a
utilização de terrenos onde ainda moram indígenas.
Não
deixa de ser uma noticia muito interessante. O tema
merece ser abordado com mais detalhes. Mas chama a
atenção a visão de alguns empresários que poderão vir a
usar as instalações do novo porto. É que já aventam a
formatação de equipes sem o sistema usado hoje, ou seja,
a mão de obra deverá ser contratada e não serão usados
trabalhadores de categorias avulsas. Pelo menos é o que
se depreende de algumas declarações de pessoas ligadas
ao sistema portuário. É uma questão que vai exigir a
negociação de forma transparente, para que as partes
envolvidas encontrem as formas de respeito a um direito
histórico, ou seja, o trabalho avulso.
Não se
pode abrir mão de instalações portuárias modernas, mas
que se mantenha o equilíbrio necessário em termos de
relações de trabalho.
Uriel Villas Boas - Coordenador da
CSC-Corrente Sindical Classista da Baixada Santista.
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