A divulgação de que estão sendo realizadas negociações entre o Governo Federal, Câmara dos Deputados e Entidades que representam os aposentados para definir questões que estão relacionadas com alguns projetos em vias de votação tem alguns aspectos que precisam ser bem avaliados. Em primeiro lugar está a forma de encaminhamento, ou seja, a tramitação de um projeto no Legislativo tem variáveis que levam em consideração o Regimento, os interesses das partes, a pautação e por fim, a votação, que em alguns casos é secreta. Nas negociações citadas, são quatro os projetos, que abordam a recomposição das perdas que foram acumuladas nos últimos anos, a derrubada do chamado "fator previdenciário, uma herança do Governo FHC, que diminui o valor da aposentadoria em função da idade e das contribuições, a forma de reajuste anual e por fim, um projeto que foi vetado pelo Presidente Lula e que está aguardando a manifestação dos
deputados, para derrubar o veto ou pelo arquivamento. Como se pode perceber, a situação tem o paradoxo de apontar para soluções de questões que preocupam mais de 20 milhões de pessoas ou mais um descompasso, mais uma frustração. Por isso não se pode ficar inerte. E não basta fazer criticas, é preciso participar. E isto começa pelas entidades já organizadas, que precisam discutir com muita transparência formas de conscientizar seus representados a participarem de assembléias e manifestações, mas de forma unitária. É preciso definir um calendário que leve em conta inclusive a discussão das questões diretamente com as bases onde os deputados tem sua representatividade. É o que se pode denominar do "Dia da Visita", feita na mesma ocasião, nas mais diferentes localidades, o que vai fazer o parlamentar pensar com seriedade qual será sua atitude em relação aos projetos. A conclusão que se tira é que mais do que nunca se faz
necessária a mobilização consciente e que não será muito difícil se houver efetivamente o interesse de atingir os objetivos. Ou seja, é a repetição do que se faz em termos de renovação de acordos coletivos anuais ou determinadas reivindicações do pessoal que está na ativa. É o aposentado usando sua experiência das lutas das quais participou. E quando se deu a mobilização efetiva, os resultados positivos foram alcançados.
Uriel Villas Boas - Coordenação Nacional dos Metalúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil.