Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

APOSENTADOS; ESPERAR ATÉ QUANDO?


A crise no Senado Federal está deixando para segundo plano algumas questões básicas. Algumas mereceriam mais destaque, como no caso dos projetos que estão na Câmara dos Deputados, depois de aprovados no Senado. E que não são colocados na pauta para votação, por que não está havendo uma pressão organizada dos milhões de trabalhadores e trabalhadoras que ficam na expectativa de soluções, quando deveriam estar promovendo mobilizações para fazer efetiva pressão. Vale a pena fazer umas considerações mais detalhadas sobrem o assunto. Em primeiro lugar, temos a questão dividida em quatro partes. Os projetos abordam a eliminação do chamado "fator previdenciário", uma invenção implantada no Governo o FHC, criando regras para dificultar as aposentadorias, aumentando o tempo de trabalho. Quem não aceita tal imposição se aposenta recebendo um valor menor. Depois vem a tentativa de recomposição de perdas ocorridas há longos anos, motivadas por modificações de critérios de reajuste de aposentadorias. E sempre em prejuízo dos aposentados. A seguir, numa sequência de datas, há um projeto aprovado pelo Congresso, determinando que os valores aplicados para reajuste do salário mínimo em 2006, fosse também usado para as as aposentadorias. O Presidente Lula vetou, o projeto voltou para a Câmara. Se os deputados derrubarem o veto, vira lei. Mas não se fala nessa votação ou se o mesmo já foi arquivado. E por fim vem o projeto que determina de vez um critério unificado de reajuste do salário mínimo e das aposentadorias. Todos estão esperando uma definição, antes de ser pautado. Sabe-se que as áreas econômicas do Governo estão buscando formas de evitar que os projetos sejam aprovados, levando em consideração a repercussão nas finanças públicas. Vem então uma parte que merece uma ampla avaliação, ou seja, o movimento de aposentados está dividido em várias correntes políticas, que não agem em conjunto. E o pior, falam pelos aposentados de todas as categorias, sem que os mesmos sejam chamados para assembléias, reuniões ou atividades conjuntas. O caso chegou ao ponto de se fazerem reuniões em algumas regiões, mas sem a amplitude que é necessária. E aparecem sugestões como apelar para Barak Obama e ao Papa, para que estes interfiram no sentido de ajudar a aprovar os projetos. É claro que isto pode ser entendido como uma forma de chamar a atenção, mas isto se dá apenas em termos locais, sem repercussão nacional. Como se pode deduzir, está faltando a discussão mais ampla de uma luta que precisa passar pela convocação dos aposentados por suas Entidades, onde se discutiriam propostas como a pressão em cada região sobre os deputados, uma Plenária Nacional para elaborar um calendário de luta e então efetivamente forçar a Câmara não apenas pautar, mas que os deputados aprovem os projetos e fiquem ligados para derrubar possíveis vetos do Governo. Fazer diferente é chover no molhado.

Uriel Villas Boas - Coordenação Nacional dos Metalúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil.
 

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