Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

É PRECISO OUVIR AS BASES!


A luta sindical tem algumas varáveis, que exige do dirigente de qualquer categoria a sensibilidade no encaminhamento. O foco principal tem de ser a clareza nas atitudes, a transparência nos procedimentos e sobretudo, ter a sensibilidade de ouvir os seus representados. Temos uma questão que está na ordem do dia e exige algumas reflexões. É o caso que envolve mais de 25 milhões de pessoas, que deveriam estar gozando de uma merecida aposentadoria, pois trabalharam e preencheram os requisitos necessários para auferir um rendimento que proporcione um padrão de vida adequado. Deveria ser assim, mas a legislação previdenciária sofre mudanças constantes, pois na visão de quem dirige essa área, é preciso resguardar os aspectos econômicos. Mas as medidas não levam em consideração a situação de quem está sofrendo constantes reduções dos seus proventos. Eis que surge a oportunidade de mudar um pouco o quadro, com a recomposição das perdas e a mudança no critério de calcular os reajustes anuais. E também acabar com um chamado fator previdenciário que dificulta a aposentadoria, exigindo um tempo maior de trabalho. Os projetos foram aprovados no Senado. E deram entrada na Câmara dos Deputados, onde a tramitação leva em consideração as injunções políticas. O Governo Federal dita regras, levando em consideração a opinião da área econômica. Resta ao aposentado adotar mecanismos de pressão. Mas que não podem ser pontuais e localizadas numa cidade ou região de um Estado, seja ele qual for. Mas infelizmente o que se tem constatado são ações que mostram uma divergência entre direções de várias entidades, sem a busca da unidade que é fundamental nesse momento. E chegou-se ao disparate de uma negociação feita por algumas Entidades nacionais, formatando um acordo com o Governo e a Câmara Federal, sem ter a mínima preocupação de discutir o assunto nas suas bases. Que por sinal é a prática em relação aos trabalhadores da ativa. Incompreensível esse comportamento, que inclusive suscita criticas exacerbadas a esses dirigentes, trazendo o descrédito que é muito prejudicial ao movimento sindical. Por outro lado, entidades que não participaram das negociações não conseguem articular uma linha comum de procedimento. Por que não pensar, por exemplo, na realização de assembléias de aposentados e pessoal da ativa, num dia nacional de luta? E num final de semana, comissões de aposentados e sindicalistas procuram os parlamentares de suas regiões, cobrando o voto favorável, o envolvimento do Partido e sobretudo, a pautação da votação. Um procedimento simples e objetivo e que vai causar muita preocupação aos deputados, levando em consideração que estamos num período pré-eleitoral. Se não houver um mínimo de compreensão, vão ser feitas manifestações isoladas,, que não devem ser descartadas, mas que não seja o ponto definitivo. Os aposentados devem procurar as direções de suas entidades e sobretudo, atender ao chamamento para a luta, como se faz quando na ativa. Ficar reclamando, esperando soluções não vai levar a um resultado positivo.O momento é este!


Uriel Villas Boas - Coordenação Nacional dos Metalúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil.
 

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