As notícias sobre o maior porto da América Latina são as melhores possíveis.
Segundo declarações formuladas agora em setembro pelo Ministro dos Portos, Pedro
Brito, em 2014 o porto deverá movimentar por volta de 230 milhões de toneladas
de carga. Apenas a titulo de comparação, em 1994 a movimentação de cargas
atingiu 25 milhões de toneladas. Como se pode notar, em 20 anos aquele montante
será multiplicado por 10. Mas surgem algumas questões que merecem uma reflexão.
Os resultados apontados significam que as empresas que operam no Porto vão obter
ótimos resultados que levam em consideração os investimentos públicos e privados
e também o uso de uma tecnologia cada vez mais sofisticada.São equipamentos
modernos que estão sendo implantados. Mas por outro lado, há uma sensível
redução do uso da mão de obra, o que pode ser constatado de forma evidente em
cada Sindicato que exerce suas tarefas no Porto. Ou seja, a tecnologia não pode
ser descartada e em tese, deveria proporcionar condições de trabalho com menos
desgaste físico e emocional dos trabalhadores. Mas isto não acontece, pois o
empresário busca resultados que o favorecem, mas não tem por outro lado tanto
interesse nos problemas dos trabalhadores, a não ser que algum investimento
sirva de incentivo par aumentar a produtividade. Qualquer especialista nas
questões portuárias pode fazer uma comparação do que vem acontecendo nos últimos
anos e de forma simples constatar que o aumento do movimento das cargas não teve
o reflexo nas mesmas condições em termos de mão de obra. É preciso que se faça
uma profunda reflexão sobre esta questão, pois o trabalhador portuário faz parte
da história da comunidade. E sua atividade em muitas famílias, passou de geração
em geração. Será que isto ainda acontece? E que papel o movimento sindical pode
e deve desempenhar em tal situação? Uma questão básica é a unificação dos
projetos de lutas, levando em consideração que a classe patronal não se divide,
ao contrário, age de forma coordenada quando se trata de defender seus interesses
como na obtenção de investimentos públicos ou alterações nas leis para obter
favorecimentos e sobretudo, para dificultar o atendimento das reivindicações dos
trabalhadores. Basta ver a protelação em termos de renovação dos acordos
coletivos a cada ano. E as tentativas constantes de conseguirem a liquidação da
categoria de avulsos, impondo a contratação de mão de obra como forma de limitar
a organização sindical. É um quadro preocupante e que exige das direções e dos
militantes sindicais uma troca de informações e elaboração de plano de trabalho
de curto e longo prazo. Isto vai permitir a superação de divergências e
proporcionar a mobilização que será a forma de proporcionar um enfrentamento em
igualdade de condições.
Uriel Villas Boas - Coordenação Nacional dos Metalúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil.