A negociação salarial em algumas categorias tem muitos problemas, pois alguns segmentos empresariais alegam dificuldades em atender as reivindicações. Usam como argumento o mercado consumidor de seus produtos e contam ainda com a desmobilização em função das características de algumas empresas, com pequeno número de empregados. E cada patrão sabe bem quem é agitador e pode tomar atitudes como as demissões, que colaboram para refrear o ânimo dos demais empregados. Mas como aceitar o procedimento dos bancos em mais uma campanha salarial? Como entender que um segmento que nunca tem prejuízos, que manobra no mercado financeiro sempre lucrativo faça uma proposta que pode ser considerada como indecorosa, para a renovação do Acordo Coletivo que atinge mais de 800 mil trabalhadores que mostram competência e capacidade na execução das tarefas que são de suas responsabilidades. Dai a greve, a paralisação de atividades que não deveria ocorrer. Mas paciência e tolerância tem limites. O banqueiro via de regra impõe condições aos seus clientes, aproveitando as dificuldades que eles porventura estejam passando. E auferem sempre resultados que lhes são favoráveis. Os bancários tem conhecimento da situação de cada agência, de cada aglomerado do sistema financeiro. A greve não deveria estar acontecendo se as negociações tivessem o nível exigido, ou seja, as concessões dentro de limites, pois os trabalhadores não são intransigentes. Mas sabem quais são os direitos dos quais não abrem mão, ainda mais porque em muitos casos eles estão cobertos pelas taxas que os bancos aplicam em suas atividades.
Que essa greve, mais uma, mostre a muita gente o banqueiro que não aceita abrir mão de parte insignificante de seus lucros. Isto precisa mudar, eles precisam saber que a sociedade apóia a luta dos trabalhadores bancários.
Uriel Villas Boas - Comissão Nacional dos Trabalhadores Siderúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil