Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

Modernização: como enfrentar o problema?

 

A ida de uma delegação de Prefeitos e Empresários da nossa região à Europa para visitar as cidades    de Barcelona e  Gênova, tem como objetivo principal obter informações e conhecer as experiências que foram adotadas nas operações portuárias daquelas localidades. Evidentemente que a viagem tem de ser avaliada como um fato positivo. Mas não pode ser deixada de lado a preocupação com os reflexos que podem atingir que   a classe trabalhadora portuária. As várias atividades de um porto exigem conhecimentos e o envolvimento de muita gente. São milhares de pessoas que trabalham tanto nas chamadas operações de capatazia, ou seja , aquelas que ligadas aos armazéns como também equipes para o trabalho diretamente nos navios. Mas a delegação que viajou não contou com a presença de nenhum dirigente sindical portuário. É claro que isto não vai impedir que os trabalhadores se preparem para os reflexos dessa viagem feita pelos patrões. Na atual conjuntura a classe trabalhadora nas mais diferentes atividades passa por muitas dificuldades, provenientes da utilização cada vez maior de tecnologias refinadas. Evidentemente que não se pode ser contra os avanços tecnológicos, mas é preciso, por outro lado, que sejam avaliadas as formas de minimizar o reflexo que isto causa no mercado de trabalho. E por conseqüência, atinge também as questões sociais, com o aumento da violência e da criminalidade. Como se pode perceber, há uma interligação entre as ações dos setores ligados è economia com a questão social.

È preciso, portanto, que os vários setores ligados às operações portuárias tenham o discernimento de buscar o debate dessas questões, tomando como base o objetivo maior que é o de aumentar o rendimento das atividades, mas com efetivo reflexo nas questões sociais. Como se deu esses procedimentos nos portos visitados?   E até onde isto pode ser aplicado nos portos da nossa região? Não se pode acreditar que os empresários e os membros dos Poderes Executivos tenham objetivado com a viagem, tão somente a visão de resultados positivos para a área econômica. É o que poderá ser observado quanto as informações sobre a viagem foram tornadas públicas. Por   certo os dirigentes sindicais portuários devem estar programando debates para possíveis contatos com sindicatos de trabalhadores dos portos visitados, numa troca de informações cujos efeitos se farão sentir na organização de cada categoria.  

Uriel Villas Boas - Coordenador da CSC-Corrente Sindical Classista da Baixada Santista. 

 

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