Uma parcela significativa de aposentados e pensionistas estão recebendo valores que não são suficientes para cobrir seus gastos. Que não se limitam ao próprio sustento ou de sua família. A idade vai avançando e surgem problemas de saúde, exigindo gastos que as vezes os rendimentos não são suficientes para cobrir. Para aumentar os problemas, o aposentado tem sentido a cada ano as modificações impostas pelas leis, normas e procedimentos impostos pelo Governo do momento, sob a alegação de controle de gastos. A mais recente tem a ver com o índice de reajuste, que é diferente do valor aplicado no salário mínimo. Alguns projetos foram apresentados no Congresso. E aprovados no Senado, esperam a pautação e a votação na Câmara, antes de seguir para a sanção presidencial. Temos então uma situação que não é entendida pela grande massa de interessados, ou seja, por que tanta demora para uma decisão sobre um projeto. A grande maioria desconhece que a tramitação de um projeto leva em consideração a pressão que o parlamentar recebe e inclusive, que interesse tem ele para assumir uma posição. No caso dos aposentados há uma outra contradição de posicionamento. É que enquanto está na ativa, a cada ano sua categoria faz uma campanha salarial, para renovação do acordo coletivo de trabalho. Nas assembleias do seu sindicato são aprovadas as reivindicações a serem encaminhadas ao patrão. E todos os aposentados que de alguma forma se envolveram nas lutas sindicais sabem perfeitamente quanta dificuldade se apresenta para conquistar uma vantagem. Dai fica a indagação: depois de aposentado ele não precisa mais lutar? Ele não precisa dizer o que quer, quais os seus problemas? Está errado quem pensa assim. é preciso lutar, é preciso mostrar a insatisfação.E não adianta ficar na reclamação individual, no desabafo, ou então fazendo movimentos isolados. Tem aposentado em todos os recantos desse nosso pais. Ora, em cada região deve ser feito o levantamento do nome do deputado que busca o voto do eleitor a cada quatro anos. Ele precisa ser procurado na sua base, para que vá para Brasília e discuta com seus colegas as formas de atender as reivindicações dos aposentados que estão acompanhando o seu trabalho na Câmara. Cada região tem de promover a movimentação, mas em contato com outras localidades, sob pena de não se fazer a pressão que o assunto merece. Ainda temos tempo, mas não muito. Senão vamos amargar mais um ano sem um reajuste adequado.
Uriel Villas Boas - Comissão Nacional dos Trabalhadores Siderúrgicos da CTB-Central dos Trabalhadores do Brasil