Uriel Villas Boas

Coordenador da Corrente Sindical Classista - CSC  da
Baixada Santista.

PORTO DE SANTOS: NOVA DIRETORIA E VELHOS PROBLEMAS

 

O porto de Santos, o maior da América Latina vai completar 200 anos  em 2008. É um longo tempo, marcado com muitos acontecimentos. Ao longo desse período a classe trabalhadora teve papel de destaque. De inicio, como pode ser constatado em fotografias e relatos registrados em vários documentos e livros, havia um grande esforço humano. O estivador subia ou descia as escadas de um navio carregando nas costas os sacos e outras mercadorias que seriam transportadas ou estavam chegando ao Porto. O tempo passou, muitos equipamentos foram sendo fabricados, influindo efetivamente na utilização da mão de obra. E estamos caminhando para uma redução sensível, pois a iniciativa privada prevalece nas operações portuárias. E tem como objetivo o lucro, a obtenção de resultados. E gastando o menos possível, principalmente em relação à mão de obra. São constantes as discussões sobre a quantidade de trabalhadores necessários. E mais, se devem ser nas condições estabelecidas há dezenas de anos, com a predominância dos chamados "avulsos". É que as Empresas operadoras aventam com a possibilidade de contratação de forma direta, com registro em carteira.

E não faltam os seminários, as conferências e os estudos para a busca de mecanismos  que sustentem as teses daqueles que pretendem um porto moderno onde a mão de obra seja a parte menos importante. Ainda recentemente uma delegação com Prefeitos, parlamentares e empresários estiveram visitando portos europeus, tomando conhecimento dos métodos de trabalho. Nenhum representante dos trabalhadores fez parte da delegação.

Mas há outro problema a ser enfrentado, ou seja, a nova direção da Empresa, empossada recentemente já transmite uma preocupação aos trabalhadores que fazem parte do seu quadro. Há indicativos de redução de ganhos, com o corte de horas extras. Esta, por sinal, foi uma medida adotada pela Companhia Docas do Rio de Janeiro. E teme-se que venha a ser adotada na nossa região.

Há também casos de atritos e punição a funcionário que contesta alguma medida com a qual não concorda.

Ao que se sabe, a Codesp é uma concessionária do Porto e pertence ao Governo Federal. Sua direção é indicada dentro do esquema governamental. Consequentemente, é preciso ter procedimentos profissionais em termos de administração, mas não pode deixar de lado a importância do diálogo com os diferentes segmentos, entre os quais, a representação da classe trabalhadora.

A situação como está colocada causa preocupação e exige posicionamentos claros e diferenciados daqueles que fazem parte do esquema do Governo. Que não significa concessões   que firam princípios éticos, mas que também demonstrem a compreensão de que esta é uma administração com preocupações com a área social.

De qualquer forma, o trabalhador portuário não pode ficar à espera dos acontecimentos. Mais do que nunca, precisa retomar a luta, de forma unitária, para se fazer ouvir pelos que estão com o poder sob controle.  

Uriel Villas Boas – Coordenador da Corrente Sindical Classista-CSC / Baixada Santista

 

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