A emenda mudando as regras
da Contribuição Sindical está na ordem do dia. A
iniciativa de um deputado federal de Brasília,
ex-dirigente sindical, estipula que o trabalhador terá o
direito de opinar se concorda ou não com o desconto de
até um dia de seu salário, no mês de março de cada ano,
em favor da entidade representativa de sua categoria. O
procedimento do deputado que é filiado a um partido que
faz parte do bloco reacionário de oposição ao governo
Lula tem alguns pontos que levam a algumas reflexões.
Em
primeiro lugar, há muitos anos os militantes de
organizações sindicais mais combativas buscam
alternativas para a supressão da Contribuição Sindical.
Na Constituinte de 88 o tema avançou bastante. Mas a ala
sindical conservadora sob a liderança das Confederações
fez um grande movimento de pressão sobre os
parlamentares e além da manutenção da Contribuição
Sindical ainda criaram uma outra alternativa, a
Contribuição Confederativa, cujo valor é fixado pelas
direções sindicais. E que se mostra muito mais danosa.
Há casos concretos de imposição de valores várias vezes
acima de um dia de salário anual. É curioso perceber que
este fato não merece nenhum comentário, inclusive
daqueles que fazem críticas à cobrança do valor
estipulado em lei. Por má fé e também por desinformação.
Outra contribuição, direcionada aos profissionais de
curso superior, destinada aos Conselhos Federais também
não é citada. E sabe-se que há casos de cobranças de
valores exorbitantes, para manter estruturas
burocráticas e que nem sempre cumprem o papel para o
qual foram criadas.
E por
fim vem o detalhe, ou seja, a emenda do parlamentar de
Brasília atinge apenas a Contribuição dos empregados e
nada menciona em relação às Entidades patronais. E
também não leva em consideração que trabalhador não
filiado ao Sindicato que o representa legalmente, se
beneficia dos resultados das lutas que são promovidas
com a participação dos sindicalizados. Esquecimento,
pressa ou foi mesmo intencional ?
O que
é importante efetivamente é que se busquem formas de
manter as atividades sindicais atuando. Mais do que
nunca é preciso que os militantes combativos superem as
dificuldades, promovendo a sindicalização com o objetivo
de manter as entidades funcionando. E mais, que sirva de
motivação para a mobilização dos trabalhadores, com a
anteposição organizada contra os patrões que tentam
impedir a filiação de seus empregados à sua Entidade de
classe.
A
Contribuição Sindical pode vir a ser extinta, mas de
forma gradativa. Ou permanecer, de acordo com a decisão
dos trabalhadores, em assembléias democráticas e
amplamente divulgadas.
É
preciso aproveitar o oportunismo do deputado com visão
patronal e dar uma resposta à altura, através de
iniciativas com o objetivo de manter os sindicatos
atuantes e combativos em ação, sem depender de
contribuições impostas. O problema está em evidência e
não pode haver a omissão de quem tem compromissos com as
lutas operárias.
Uriel
Villas Boas – Coordenação CSC – Baixada Santista –
S.Paulo