O período eleitoral deveria servir para que as várias
tendências políticas apresentassem suas propostas,
através daqueles que foram indicados para os cargos em
disputa. Os candidatos aos Executivos mostrariam
propostas e formas de encaminhamentos, fazendo críticas
e observações sobre os procedimentos dos que atualmente
estão nos cargos. Os candidatos ao parlamento, por sua
vez, teriam a oportunidade de mostrar trabalhos que já
executou ou projetos que defenderiam durante os
mandatos. E nos dois casos, Executivos e Parlamentares
teriam como base a linha política do Partido ao qual é
filiado. Mas o que se nota a cada campanha é que isto
não acontece. E temos uma questão básica, nosso
procedimento eleitoral não considera algumas questões
que já deveriam ter sido modificadas. Para começar,
temos o caso do voto no candidato e não na legenda
partidária. E quem tem nome mais conhecido ou conta com
mais verbas, leva nítida vantagem. São conhecidos casos
de pessoas que usam e abusam desse método. E tem alguns
que chegam ao desplante de fundar partidos, que usam em
seu interesse pessoal. Outra questão é que os candidatos
representam todo o Estado, quando na realidade deveriam
representar sua região. Isto pode levar a que regiões
extensas e importantes não elejam nenhum representante.
E para completar, são tantas as restrições que não se vê
mais o debate direto. O eleitorado por sua vez, tende a
se despolitizar, sem uma participação mais efetiva no
processo. E os meios de comunicação também colaboram,
denegrindo a imagem de todo o conjunto, quando na
verdade a maioria da classe política é seria mas tem a
limitação do sistema, como no caso os regimentos dos
parlamentos, a estrutura de comunicação e o desestímulo
às mobilizações. Que se reletem também nos sindicatos,
nas associações de moradores e em outros organismos
populares que nem sempre motivam o debate e a discussão
de encaminhamentos. O que dá para perceber é que
determinados segmentos não perdem a oportunidade e
procuram candidatos que vão encaminhar questões de seu
interesse. São procedimentos de classes empresariais
visando a criação de leis de seus interesses
corporativos, o que não acontece com a grande massa da
população. Mas não se pode descartar alguns avanços,
embora ainda tímidos. E quem tem compromissos com as
lutas sociais tem de enfrentar os desafios e ocupar
espaços. Como diz um ditado popular, "devagar se vai
longe". E se muitas questões sociais dependem de
organismos públicos, as comunidades mais diversas
precisam ser motivadas a atuarem de forma organizada. A
história mostra que isto é possível, embora não seja
fácil.
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Uriel Villas Boas - Secretário de Previdência da
FITMETAL-CTB/CGTB- Presidente da Asimetal - Santos