Transporte aéreo ganha espaço sobre portos

O boom da logística brasileira está sendo puxado pelo bom desempenho das importações e exportações, do qual o governo brasileiro já projeta um crescimento de aproximadamente 10% para este ano. No topo da movimentação de produtos, os portos ainda têm a maior parcela do mercado, mas o aumento da demanda por cargas expressas está levando o transporte aéreo a ganhar participação. Já no Mercosul, o transporte rodoviário registra perda de participação para o ferroviário.

Dados da Associação Brasileira de Logística (Aslog) apontam a que o transporte aéreo é o que mais cresce na economia brasileira. ?A logística de conveniência, que é a entrega expressa de produtos, está impulsionando o desempenho do setor. Empresas como a UPS, DHL e TNT estão com aviões praticamente lotados. No regional, empresas como OceanAir, Gollog e VarigLog estão ganhando mais clientes que os concorrentes. A expansão de vendas externas é o principal fator?, diz Adalberto Panzan , presidente da entidade.

No ano passado, a expansão das vendas externas foi de 17,1%, totalizando US$ 137,471 bilhões. Para o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho , a meta é de US$ 152 bilhões para este ano. O câmbio favorável para as importações está movimentando ainda mais os porões das aeronaves. A Absa Cargo Airline registrou no ano passado 55% de seu total transportado ? 139 mil toneladas ? vindo das importações. ?As exportações estiveram estagnadas, mas não é alarmante porque ao longo dos últimos anos estiveram em alta. Elas representaram 45% do total movimentado e a previsão é de elevar entre 12% e 15% a movimentação geral?, constata Norberto Jochmann , presidente da companhia. A empresa, especializada em entrega de mercadorias com foco no mercado externo a partir do Brasil, obteve, ano passado, faturamento superior a US$ 200 milhões.

Para este ano, o mercado prevê uma taxa de câmbio sem grandes flutuações, como ocorreu em 2006. Com isso, a expectativa, segundo Panzan, da Aslog, é que as exportações representem mais aos operadores logísticos e que o comércio no Mercosul seja favorecido. ?Dirigentes da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários [ANTF] apontam a que as concessionárias de ferrovias estão desenvolvendo alternativas para coleta e entrega de produtos, como o bimodal, que é a utilização de ferrovia e rodovia em uma operação específica, além de trabalhar com cargas de alto valor agregado?, constata o presidente.

A MRS Logística é uma das empresas atentas a este movimento de mercado e está se voltando cada vez mais às cargas de alto valor agregado. O movimento de contêineres representa hoje 5% da receita da companhia. A meta é que este percentual atinja os 15% até o ano de 2010. Com isso, tanto importações quanto exportações tendem a crescer.

Valter Luis de Souza , diretor comercial, aponta a que, para este ano, a projeção é de um crescimento geral de 15%, chegando a 130 milhões de toneladas movimentadas. ?Do total de 113,4 milhões de toneladas no ano passado, 81 milhões foram de exportações, 4 milhões importações e o restante foi do mercado interno?, conta o diretor.

A maior parte da movimentação da concessionária entra e sai pelo Porto de Santos, o maior complexo portuário da América do Sul. A MRS utiliza também o Porto de Sepetiba, no Rio de Janeiro, além do Tecon da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Minas Gerais. ?Os investimentos em 2007 são da ordem de R$ 750 milhões, entre novas locomotivas, vagões, sinalização, obras de infra-estrutura e tecnologia?, incrementa.

Do outro lado do bimodal, com operação rodoviária em países como Argentina, Uruguai e Chile, a DM Transporte e Logística Internacional prevê para este ano de 15% a 20% a mais em volume transportado se comparado com 2006. ?Ano passado movimentamos cerca de 251 mil toneladas. Destes, 50% importação e os outros 50% de exportação. A projeção é de chegar a US$ 37 milhões em faturamento este ano?, conta Ricardo Mincarone , diretor-geral.

Com mais de 200 clientes ativos em carteira, o dirigente da empresa ressalta que nos últimos três anos a retomada do mercado argentino está favorecendo a demanda da empresa.

?No ano passado a média de viagens mensais chegou a 1 mil. Carga em geral, como matérias-primas e produtos embalados, são nossas demandas?, revela o diretor. A empresa investirá ao longo deste ano R$ 15 milhões entre renovação e aquisição de parte de sua frota. Serão cerca de 50 os novos conjuntos de caminhões. Ao todo, a companhia conta com 250 caminhões.

Portos

O modal marítimo, que apresenta a maior participação de exportação e importação, registrou recorde histórico em movimentação em 2006. Os 35 portos brasileiros registraram entre terminais privados e públicos, mais de 682 milhões de toneladas movimentadas. Em 2005, foram escoados 649 milhões de toneladas de mercadorias pelos portos.

O aumento nas exportações e a melhoria da capacidade gerencial dos principais portos do País foram apontados pelo superintendente de Portos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Celso Quintanilha , como os principais responsáveis. Em Santos, os contêineres foram o principal destaque. O acumulado dos 11 meses de 2006 chegou a 24.238.711 toneladas, 12,86% acima do verificado no mesmo período do ano anterior. O contêiner foi responsável por 34,70% do total de carga movimentada no porto em 2006. Mantida a média mensal, a carga conteinerizada deverá superar a meta de 25,559 milhões estimada pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Entre janeiro e novembro de 2006, o Porto de Santos respondeu pela movimentação de 26,4% da balança comercial, que corresponde a US$ 55,3 bilhões. A participação mais significativa foi na exportação, com 29,1% do total.

(Fonte: DCI - São Paulo,SP /Robson Bertolino)

 

 

 

 

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