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MEIO
AMBIENTE |
Porto de
Itajaí cria Parque Municipal do Atalaia |
Área com quase 200 mil metros quadrados ainda possui Mata
Atlântica
O Porto de Itajaí
destinou R$ 1,2 milhão para aquisição de 195 mil metros
quadrados que formam o morro do Atalaia, com 250 metros de
altura, no litoral da cidade. Encravado em área urbana,
sofrendo as pressões da ocupação desordenada e exploração
indevida dos recursos da fauna e flora, o local ainda abriga
cobertura de Mata Atlântica.
Com a compra, o local
será transformado no Parque Municipal do Atalaia por decreto
do prefeito Volnei Morastoni. Os parques são unidades de
conservação de proteção integral. Tem como objetivo básico
a preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância
ecológica e beleza cênica. Eles devem possibilitar ainda a
realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de
atividades de educação ambiental, de recreação e de contato
com a natureza, podendo também servir de equipamento para o
turismo ecológico.
A criação do parque
municipal é uma contrapartida ambiental do Porto de Itajaí
para manutenção das licenças ambientais. Em mais de 100 anos
de história, é a primeira vez que o Porto de Itajaí opera
com licenças ambientais para todas as atividades.
Todo o processo que culminou
na aquisição da área para criação do parque teve apoio do
governo do estado, através da Fundação Estadual do Meio
Ambiente (Fatma). A área será administrada pela Fundação do
Meio Ambiente de Itajaí (Famai). No local serão implantadas
trilhas ecológicas e área para estudos e palestras sobre
educação ambiental.
Um levantamento preliminar
realizado na área já identificou inúmeros exemplares da
fauna e flora (ver tabela abaixo) cada vez mais
ameaçados em função do constante avanço da área urbana sobre
a mata nativa. O projeto de implantação do Parque Municipal
do Atalaia foi desenvolvido pela Universidade do Vale do
Itajaí (Univali), que também participa de outros projetos do
Porto de Itajaí na área ambiental.
Segundo o superintendente do
Porto de Itajaí, Wilson Francisco Rebelo, a responsabilidade
sócio-ambiental é uma exigência do prefeito Volnei Morastoni
para a atual administração. “Havia formas mais simples de
cumprir a contrapartida exigida pela Fatma. Mas, seguindo as
orientações do prefeito, optamos justamente pela maneira
mais difícil de ser realizada, porém, de maior impacto para
a melhora da qualidade de vida da população”, destaca.
A solenidade de criação do
Parque Municipal do Atalaia será nesta quinta-feira, dia 25,
a partir das 18h, no auditório Martin Schmeling, na
Superintendência do Porto de Itajaí. A cerimônia contará com
a presença dos órgãos ambientais envolvidos, da Univali, do
magistrado que homologará o pedido e demais autoridades e
convidados. Ainda no mesmo evento, o prefeito de Itajaí,
Volnei Morastoni, assina o decreto que cria o Parque
Municipal do Atalaia.
A Mata Atlântica
A Fundação SOS Mata Atlântica
e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
anunciaram na semana passada os resultados da edição
2000/2005 do Atlas dos Remanescentes Florestais de Mata
Atlântica. Os dados apresentados (disponíveis para consulta
no portal www.sosma.org.br e www.inpe.br) referem-se aos
estados do Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul,
Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e
São Paulo. Juntos, os oito estados somam 79.515.743
hectares, correspondendo a 60% da área do bioma.
Os dados comprovam que a Mata
Atlântica está reduzida a 6,98% da cobertura original. Em
2000, este índice era de 7,1%. Do total de 95 mil hectares
desmatados na Mata Atlântica no período de 2000 a 2005,
73.561 hectares estão concentrados em Santa Catarina e
Paraná.
A cobertura original da Mata
Atlântica media 1,3 milhão de quilômetros quadrados,
aproximadamente 15% do território nacional. Hoje restam
menos de 7% da área original. Entre outras características,
a Mata Atlântica é responsável pela preservação de milhares
de espécies da fauna e flora, regularização do clima e
manutenção do ciclo de renovação dos recursos hídricos.
(Tabela) Diversidade
encontrada na área do Parque
Flora:
Abacaxi ( Ananás sativum )
Amargosa ( Calea pinatifida
)
Anileira ( Andigofera
hisruta )
Angelim ( Andira anthelmia
)
Araçá ( Psidium araçá )
Assa peixe ( Verronia
polynthes )
Arnica do mato (
Sphagneticula trilobata )
Baga de cobra ( Strichinus
trinervis )
Baga de morcego (
Erythroxilum cocum )
Balva ( Eryngium
banariensis )
Banana do mato ( Bromélia
antiacanta )
Barba de velho ( Tillandsia
usneoides )
Bicuiva ( Virola oleiva )
Bunda de cachorro (
Thumbergia alata )
Caeté ( Heliconia rostrata
)
Café de bugre ( Cordia
ecalyculata )
Cafezeiro do mato (
Casearia silvestris )
Calção de velho ( Budleia
brasiliensis )
Cambarã – Erva de bicho (
Lantana camara )
Camboatá ( Matayba
elaeagnoides )
Canela ( Ocotea acutifolia
)
Canela amarela ( Nectandra
leucothyrsus )
Canela fogo ( Cryptocarya
aschersoniana )
Canela Pimenta ( Ocotea
laxa )
Canemão ( Solanum inequale
)
Capororoca ( Rapanea
ferruginea )
Carne de vaca ( Euplassa sp
)
Carobinha ( Jacarandá
micrantha )
Carqueja ( Bacharis
megapotâmica )
Carqueja vassoura (
Bacharis sp )
Carrapicho ( Desmodium
adcendens )
Carrapicho de carneiro (
Malvastrum dulinoides )
Cedrinho ( Cedrela fissilis
)
Centela ( Centella asiática
)
Cipó cabeludo ( Polypodium
vassinifolium )
Cipó chumbo ( Cuscuta
racemosa )
Cipó imbé ( Phillodendrum
seloii )
Cipó prata ( Banisteriopsis
oxyclada )
Coronha – Olho de boi (
Dioclea violácea )
Cupiuva ( Tapiririca
guianensis )
Embauva ( Cecropia adenopus
)
Erva do colégio (
Elefantópolis mollis )
Erva gorda ( Erechites
valerianifolia )
Estopeira ( Cariniana
estrellensis )
Farinha seca ( Albizia
hasslerii )
Figueira Branca ( Ficus
guaranitica )
Figueira-da-folha-miúda (
Ficus organensis )
Figueira do mangue ( Ficus
sp )
Figueira vermelha ( Ficus
clusiaefoli )
Flor de pau ( Merremia
dissecta )
Gervão roxo (
Stachitarpheta kaienensis )
Grandiuva ( Psychotria
suturella )
Guabiroba ( Campomanesia
xanthocarpa )
Guaco ( Mikania adcendens )
Guamirim ( Myrcia
brasiliensis )
Guamirim com flor ( Myrcia
brasiliensis )
Guamirim de baga (
Myrceugenia sp)
Guamirim ferro ( Myrcia
arborescens )
Guamirim-folha-miúda (
Myrceugenia campestris )
Guamirim grande ( Myrcia
brasiliensis )
Guanxuma ( Cida acutifólia
)
Guarapuvu ( Schizolobium
parayba )
Heliconia ( Heliconia
brasiliensis )
Hortelã da mata ( Hyptes
brevipes )
Jacarandá ( Jacaranda
cuspidifolia )
Jacatirão ( Tibouchina
pulchra )
Jaguarandi ( Piper alnun )
Jerivá
( Syagrus romanzoffiana )
Laranjeira do mato (
Sloanea quianensis )
Licopodium ( Licopodium
arvensis )
Licurana ( Hyeronima
alcorneiodes )
Mal-me-quer ( Lantana
câmara )
Mamica de porca (
Zanthoxyllum hyemale )
Mangue do morro ( Clusia
criuva )
Manjola ( Aechmea kleinii )
Maracujá do mato (
Passiflora cincinata )
Maracutángo ( Passiflora
alata )
Marcela do campo (
Achirocline satureodes )
Olandi ( Calophyllum
glandulatum )
Orelha de Onça ( Tibouchina
urville )
Palmito ( Euterpe oleracea
)
Pata de vaca ( Bauhinia
candicans )
Pau Gambá ( Guastavia
augusta )
Pau mandioca (Didymopanax
angustissium )
Picão preto ( Bidens pilosa
)
Pixirica do mato ( Leandra
sp )
Quebra pedra ( Phillatus
stipulatus )
Queima casa ( Bathisa
meridionalis )
Salsaparrilha ( Smilex
lappacea )
Samambaia ( Gleixenia )
Samba cuité ( Hyptes
pectinata )
Seca Ligeiro – Cipó caboclo
( Pera Glabatra )
Seni do Brasil ( Senna
brasiliensis )
Sete sangrias ( Cuphea
mesostomon )
Silva ( Mimosa bimucronata
)
Surucuina ( Eclipta alba )
Tanheiro ( Alchornea
triplinérvia )
Tanheiro da folha miúda (
Alchornea sp )
Taquari ( Mabea caudata )
Ticum ( Astrocaryum
aculeatum )
Tomate árvore ( Cyphomandra
marítima )
Vassoura ( Baccharis
dracuncifolia )
Vassourão do campo ( Sida
rhombifolia )
Vassoura vermelha ( Dodonea
viscosa )
Fauna
Mamíferos:
Cotia (Dasyprocta aguti )
Furão (Galictis ssp. )
Gambá de orelha preta (
Didelphis marsupialis )
Gato do mato ( Leopardus
tigrinus )
Guaxinim ( Procyon
cancrivorus)
Raposa caranguejeira (
Cerdocyon thous )
Aves:
Alegrinho ( Serpophaga
subcristata )
Andorinha azul e branca (
Notiochelidon cynoleuca viellot )
Andorinha-doméstica-grande
( Progne chalybea )
Anu-branco ( Guira guira )
Anu-preto ( Crotophaga ani
linnaeus )
Beija-flor-preto-e-branco (
Melanotrochilus fuscus )
Bem-te-vi ( Pitangus
sulphratus )
Bico-de-lacre ( Estrilda
astrild )
Cambacica ( Coereba
flaveola )
Carrapateiro ( Milvago
chimachima )
Chimango ( Milvago chimango
)
Corruíra ( Troglodytes
aedon vieillot )
Gaivota ( Larus dominicanus
lichtenstein )
Garça branca grande (
Casmerodius albus linnaeus )
Garça branca pequena (
Egretta thula )
Garça morena ( Egretta
caerulea )
Gavião tesoura ( Elanoides
forficatus )
João de barro ( Furnarius
rufus )
Mariquita ( Parula
pitiayumi )
Papo branco ( Leucochloris
albicollis )
Pardal ( Passer domesticus
)
Picapau-anão-barrado (
Picumnus cirratus )
Picapau-chorão ( Picoides
mixtus )
Rolinha ( Columbina
talpacoti )
Sanhaço ( Thraupis sayaca )
Sanhaço do coqueiro (
Thraupis palmarum )
Socó grande (Ardea cocoi
linnaeus)
Suiriri ( Tyrannus
melancholicus viellot )
Tesourão (Fregata
magnificens )
Tico-tico ( Zonotrichia
leucophrys )
Tiriba ( Pyrrhura frontalis
)
Tucano de bico verde (
Ramphastos dicolorus linnaeus )
Urubu ( Cathartes aura
linnaeus )
Urubu-comum ( Coragyps
atratus )
Fonte: Assessoria de
Comunicação, Porto de Itajaí
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