Ambientalistas devem acionar siderúrgica em R$ 300 milhões

Além da polêmica em torno da contratação de trabalhadores chineses, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) enfrenta agora problemas ambientais. O Fórum de Meio Ambiente e Qualidade de Vida da Zona Oeste e Baía de Sepetiba, que reúne ambientalistas e pescadores que atuam nos arredores da área onde será erguida a siderúrgica, entrará com ação na Justiça para ressarcimento de danos causados a pescadores locais e revisão dos relatórios ambientais entregues pela companhia a Feema, órgão do Estado do Rio de Janeiro responsável pela fiscalização ambiental. A indenização pleiteada pode chegar a R$ 300 milhões.

O objetivo da ação é compensar os pescadores pelas perdas que vêm sofrendo em função das obras de dragagem e impedir que os rejeitos resultantes dessa atividade sejam aterrados no fundo da Baía de Sepetiba.

De acordo com o coordenador do fórum, Sergio Ricardo, a empresa prevê retirar 20 milhões de metros cúbicos de lama do fundo da baía. O problema é que essa lama está contaminada por metais pesados, uma herança de anos de lançamento de resíduos químicos nas águas de Sepetiba pela Companhia Ingá Mercantil, hoje desativada.

Com o tempo, explica Ricardo, esses metais foram sedimentados. Ao revolver a lama eles voltam a circular, espantando os peixes. E, sem a pesca, os cerca de 300 pescadores locais não teriam como exercer a atividade da qual tiram seu sustento.

Um acerto feito entre a CSA e os pescadores, em janeiro, previa que cada um dos pescadores seria indenizado com a quantia de R$ 33 mil. O valor seria repassado aos pescadores até 5 de março, o que não aconteceu. Por essa razão, Ricardo vai requerer a indenização na Justiça. Em vez de R$ 33 mil, porém, ele vai pleitear R$ 100 mil. O novo valor tem como base uma recente decisão judicial que obrigou a Petrobrás a pagar R$ 100 mil por pescador afetado por um vazamento ocorrido na Baía de Guanabara, em 2000.

De acordo com Ricardo, a técnica de confinar resíduos a ser empregada pela CSA, chamada confined disposal facility (CDF), está obsoleta. O ideal seria armazenar os rejeitos em aterros industriais ou usar a chamada técnica do encapsulamento, em que o lixo é confinado em sacos de polietileno. Este é o segundo ponto a ser abordado na ação.

Em maio do ano passado, Ricardo encaminhou uma denúncia a Feema, ao Ibama e ao Ministério do Meio Ambiente, relatando os possíveis danos que seriam causados pela CDF. Como não obteve resposta, ajuizou uma ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em outubro passado, visando a impedir as obras de dragagem. Sem retorno, insistirá na ação indenizatória.

Ricardo e um grupo de pescadores tiveram audiência no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pedir que o banco vetasse o financiamento ao projeto. O argumento de Ricardo é que se o banco financiar o projeto, será co-responsável pelos danos. Hoje, o BNDES responde pelos prejuízos causados pela extinta Ingá Mercantil, justamente por ter concedido crédito à empresa.

O BNDES afirma que só concede financiamentos se os projetos apresentarem licença ambiental, mas ressalta que a avaliação da questão ambiental compete a Feema e ao Ibama. O pedido de empréstimo é de R$ 1,5 bilhão e o investimento é de cerca de US$ 3,6 bilhões. A usina é uma parceria entre a alemã ThyssenKrupp e a Companhia Vale do Rio Doce.

Em resposta a queixas, a CSA afirmou em comunicado que a tecnologia CDF vem sendo largamente utilizada na Europa e nos Estados Unidos, onde é considerada a mais adequada em casos similares ao da Baía de Sepetiba. Também afirmou que o projeto de dragagem foi antecedido por extensos debates que reuniram a comunidade científica do Rio de Janeiro e resultaram em um seminário promovido pela Feema em outubro de 2005.

Participaram da discussão representantes da PUC e da Universidade Técnica de Hamburgo, na Alemanha, além do Ibama e do Ministério Público Estadual.

Ricardo afirma que a CSA cooptou os pescadores locais a aderirem ao projeto. Segundo ele, a empresa contratou uma companhia, chamada Agência 21, responsável por estabelecer o diálogo com a sociedade, que teria pago R$ 2 mil a cada pescador que conseguisse convencer 50 outros a dar votos favoráveis ao projeto.

Fonte: DCI - São Paulo,SP/Danielle Nogueira

 

 

 

 

 

 

 

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