|
Receita com exportações de
barcos cresce 44%
A
receita obtida com as exportações brasileiras de barcos de
esporte e recreio cresceu 44% no ano passado, em relação ao
exercício anterior, chegando a US$ 16,1 milhões (R$ 32,77
milhões). Segundo dados da Associação Brasileira dos
Construtores de Barcos (Acobar), o resultado se deve
principalmente à expansão das vendas de embarcações de alto
valor.
Números revelados pela Acobar apontam que esse comércio
aumentouUS$ 4,9 milhões, em relação aos totais obtidos em
2005, quando foi de US$ 11,2 milhões.
De acordo com a entidade, 340 lanchas produzidas no Brasil
foram adquiridas por clientes de outros países. Esse volume
representou uma queda de 55% na comparação com o ano
anterior, quando foram comercializadas 770 unidades.
De acordo com o gerente de Comércio Exterior da Acobar,
Jorge Camasmie, a diferença entre o valor das exportações e
o número de unidades enviadas ao exterior mostra uma mudança
no perfil dessas vendas e, especialmente, um aumento na
confiabilidade do produto brasileiro. O mercado externo
‘‘aceitou os barcos mais complexos feitos no Brasil, de
maior porte’’, destacou.
Para Camasmie, mesmo com a queda nas unidades exportadas, o
saldo brasileiro no ano passado é motivo de comemoração. Ele
lembrou que, em 2004, um ano após as empresas brasileiras
conseguirem entrar no mercado náutico internacional, esse
comércio atingiu a marca de US$ 10 milhões. Na ocasião, o
perfil dos produtos adquiridos era diferente. O número de
unidades compradas chegou a mil, resultando em um preço
médio de US$ 10 mil — enquanto no ano passado, foi de US$
47,35 mil.
‘‘Com tudo que aconteceu nesse período — a queda do dólar
frente ao real, o Governo atrapalhando o crescimento do
setor náutico — foi possível a abertura de novos mercados e
o resultado superou as expectativas’’, avaliou o gerente.
As armadoras brasileiras venderam seus barcos para clientes
de mais de 30 países, conforme a Acobar. Entre os principais
destinos estão nações da Europa (Itália, França, Portugal e
Holanda), da América do Norte (Canadá e Estados Unidos) e da
África.
Anualmente, 3 mil barcos são fabricados no Brasil. Em média,
um décimo é exportado. Nesse mercado, Santos desempenha um
papel estratégico, sendo responsável por 30% dos embarques.
POTENCIAL
Segundo o gerente de Comércio Exterior da Acobar, o País
pode exportar US$ 100 milhões em barcos ‘‘do dia para a
noite’’. Para isso, basta o Governo Federal flexibilizar a
tributação incidente sobre os veículos marítimos.
De acordo com Camasmie, as taxas de IPI e ICMS sobre as
embarcações de recreio brasileiras são da ordem de 25%, cada
uma. Se o percentual for reduzido, o gerente calcula que a
produção de barcos irá dobrar no País e, consequentemente,
suas exportações. ‘‘Aí, sem dúvida alguma, vamos ganhar mais
competitividade lá fora. Só precisa de um alinhamento da
carga tributária. Hoje, ninguém no Brasil paga essa taxa’’,
afirmou.
|