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Estudo defende a
reutilização do metano gerado em hidrelétricas
Cerca de 4% da contribuição humana para o
aquecimento global vêm do metano (CH4) gerado em grandes
reservatórios de usinas hidrelétricas. A emissão anual, de
104 milhões de toneladas, representa cerca de 30% do metano
produzido pelo homem. Os dados fazem parte do primeiro
estudo a considerar a produção do gás não só no
reservatório, mas também nas turbinas, vertedouros e à
jusante do rio represado. Elaborado por pesquisadores do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ele propõe
a captura do CH4 para a geração de energia e a diminuição
dos impactos ambientais.
Só no Brasil, 21, 8 milhões de toneladas de metano são
geradas anualmente nas hidrelétricas, cerca de 20% da nossa
contribuição para o agravamento do efeito estufa.
O aproveitamento desse gás "mitigaria os impactos causados
pelo homem, como a construção de novos reservatórios
grandes, a atual emissão das grandes represas e o uso de
combustíveis fósseis insustentáveis e de reservas de gás
natural", diz o documento. Além disso, evitaria outros
problemas provocados pela construção de hidrelétricas, como
o deslocamento de comunidades, alterações na população de
peixes dos rios represados, perda de biodiversidade e a
emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa.
O metano, nos reservatórios, é produzido principalmente pela
decomposição de materiais orgânicos submersos. Mas o gás
também é liberado durante a passagem da água pelas turbinas
e vertedouros - pois a pressão é reduzida e o metano passa
do estado líquido para o gasoso e sobe para a atmosfera - e
à jusante do rio.
Ivan Lima, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo,
explica que o sistema de captura propõe o uso da água da
superfície do reservatório para a passagem nas turbinas,
pois é mais pobre em metano, devido à ação das bactérias que
consomem o gás. O metano presente no fundo do reservatório
seria captado e armazenado em tanques. Como a atividade
demanda energia, o pesquisador sugere que seja utilizada a
hidroeletricidade gerada pela própria usina, mas nos
períodos de menor pico, como o noturno.
Segundo os pesquisadores, entre 75% e 88% do metano
produzido pelas turbinas, vertedouros e à jusante do rio
podem ser recuperados.
O documento afirma que "em favor do Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto, tais
tecnologias podem ser reconhecidas como alternativas
promissoras para a adaptação humana nas mudanças climáticas
no que diz respeito à geração de energia sustentável,
principalmente em nações em desenvolvimento que possuem um
número considerável de grandes reservatórios".
Fontes:
(Observatório do Clima/ Rondonoticias/
Amazonia.org) (Envolverde/Carbono Brasil)
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