O ano das importações

Dólar baixo levou 4.241 empresas brasileiras este ano a substituir fornecedores domésticos por estrangeiros, causando crise em vários setores

Embaladas pelo dólar barato e a perspectiva de aumento nos ganhos com o crescimento da economia, 4.241 novas empresas brasileiras substituíram fornecedores domésticos por estrangeiros este ano, engrossando as estatísticas das importações entre janeiro e novembro.

Trata-se do maior movimento de ingresso de novos negócios nas operações de comércio exterior em um único ano, desempenho que elevou para 28.021 o número de empresas que compram, no exterior, matérias-primas, equipamentos e produtos industrializados.

Juntas, essas empresas foram responsáveis por US$ 110 bilhões em importações, cifra 30% maior em comparação ao período de janeiro e novembro do ano passado. Os dados constam de um levantamento feito pelo Ministério do Desenvolvimento e mostram implicações nas fábricas, no balcão das lojas, passando pela mesa das famílias, inflação e os cofres da Receita.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, afirma que o ambiente favorável às compras no exterior provocou diferentes arranjos empresariais.

No universo das 4.241 novas importadoras, há dezenas de indústrias e estabelecimentos do comércio atacadista e varejista que, com o suporte do real forte e consumo interno mais dinâmico, decidiram abandonar as tradings, eliminando custos e partindo para iniciativas próprias.

Tendência deve se manter no ano que está começando

Um outro grupo de grandes e médias empresas, favorecidas pela expansão do PIB, decidiu abrir firmas exclusivamente para realizar operações de comércio exterior.

A tendência é que 2008 mantenha o ritmo. Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos em Comércio Exterior, lembra que em 1998, último ano do real artificialmente forte na primeira fase do plano de estabilização econômica, o comércio exterior brasileiro chegou a contar com 38 mil importadoras, número que declinou com as crises internacionais e a desvalorização da moeda nacional.

Fonte: (Diário Catarinense/Brasília)

 

            

 

 

 

 

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