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Alta dos grãos move
holofotes para a
América do Sul
Poucos países no
mundo poderão se
beneficiar tanto da
alta das commodities
agrícolas quanto
Brasil e Argentina.
Somados, ambos já
produzem um
significativo volume
de soja, milho e
trigo e têm terras
disponíveis para
expandir as
lavouras, sobretudo
a partir da
tendência de redução
do espaço ocupado
pela pecuária, ainda
marcadamente
extensiva nesses
dois exportadores de
carne bovina.
Segundo Luiz Otávio
Campos, analista de
agronegócios do
banco Credit Suisse,
é essa constatação
que motiva, por
exemplo, as compras
de terras
brasileiras por
grupos estrangeiros.
"O potencial para
aquisição de terras
é maior no Brasil do
que nos Estados
Unidos ou mesmo na
Argentina", afirma.
Não há dados
precisos, mas
estima-se que há no
Brasil por volta de
90 milhões de
hectares hoje
ocupados por
pastagens que podem
ser convertidos aos
grãos no longo
prazo. Na safra
2007/08, a área
nacional de grãos é
de 46,5 milhões de
hectares, conforme a
Conab.
O Credit Suisse
projeta que, puxada
pelos países
emergentes
(principalmente
China e Índia), a
demanda global por
alimentos aumentará
2,5% ao ano, em
média, nos próximos
anos. Também prevê
que a taxa anual de
elevação da demanda
mundial por
biocombustíveis será
de 0,8%. A
consultoria
Macroplan, como já
informou o Valor,
trabalha com
incrementos
acumulados de 25% no
consumo de cereais e
de 40% na demanda de
carnes na China até
2020. No mesmo
horizonte, prevê
saltos de 12% e 16%,
respectivamente,
para a América
Latina e altas
menores para a Índia
- menores até que os
avanços nos países
desenvolvidos, que
tendem a superar
15%.
Em 2007/08 (a safra
de verão está em
fase final de
plantio no sul da
América do Sul), o
Brasil deverá
produzir 62 milhões
de toneladas de soja
e a Argentina, 47
milhões, segundo o
Departamento de
Agricultura dos EUA
(USDA). Se
confirmadas, as
colheitas
responderão por
49,2% da safra
global do grão. Nas
exportações
mundiais, a
participação
conjunta deverá
chegar a 54,6%.
No caso do milho, a
produção brasileira
deverá atingir 50
milhões de toneladas
e a argentina, 22,5
milhões. Na safra
mundial, a fatia de
ambos será, se o
clima se comportar
bem, de 9,4%. Nas
exportações, subirá
para 25,5%. Para o
trigo, onde só a
Argentina se destaca
na América do Sul e
o Brasil é um dos
maiores importadores
do mundo, as
projeções do USDA
indicam participação
conjunta de 3,1% na
produção e fatia
platina de 9,5% nos
embarques.
Os dois países terão
de avaliar, porém, o
papel que terão em
um mundo de demanda
por grãos em
elevação. As
indústrias
processadoras de
soja que operam no
Brasil, por exemplo,
reclamam das
desvantagens
tributárias
(cobrança de ICMS no
transporte
interestadual do
grão, basicamente)
que enfrentam para
transformar a
matéria-prima em
farelo e óleo. Se
nada mudar, dizem, a
tendência é que o
país se consolide
como celeiro
exportador e perca
valor agregado.
Claudio Porto,
presidente da
Macroplan, afirma
que, particularmente
no caso do Brasil, é
necessário o
estabelecimento de
uma política
agrícola que remova
gargalos
burocráticos e de
infra-estrutura e
reforce o seguro
rural. "É preciso
mais
competitividade,
principalmente com o
dólar fraco".
Problemas ligados à
sanidade e à
sustentabilidade da
produção animal e
vegetal também têm
de ser resolvidos.
"E do lado
empresarial não há
mais espaço para
amadores".
Segundo ele, o país
também precisa
aproveitar a base de
pesquisa,
desenvolvimento e
inovação construída
nas últimas décadas.
"A Embrapa, por
exemplo, pode ser a
nossa 'Petrobras
verde'", propõe.
"Mas a empresa
[Embrapa] não
conseguirá entrar no
jogo com as atuais
amarrações. É
preciso
profissionalizar a
gestão e acelerar a
internacionalização",
diz.
Fonte:Valor
Econômico
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