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Contagem regressiva para a extinção do
Portus
O tempo não
pára. Sabemos todos.
Por isso,
é grande a tensão e apreensão entre os sindicatos portuários
do Brasil com a ameaça de extinção do Portus, o fundo de pensão dos
portuários. No início de março, em reunião realizada na Secretaria
de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social foi
dado um ultimato: 60 dias para que a situação do Portus fosse
normalizada, caso contrário o instituto será extinto. Já se passaram
30 dias e nenhuma das patrocinadoras (as companhias docas) colocou a
mão no bolso para pagar o que deve ao fundo de pensão. A dívida
passa de 1 bilhão de reais. Sem dinheiro, o Portus vai fechar as
portas.
“Será uma derrota para todos se o Portus for
para o buraco”, critica o presidente da Federação Nacional dos
Portuários, Eduardo Guterra, referindo-se ao governo Lula, à
Secretaria Especial de Portos e às novas diretorias das companhias
docas.
Os sindicatos portuários estão empenhados em
sensibilizar as autoridades federais, como os ministérios do
Planejamento, da Fazendo, do Trabalho e da Previdência Social, para
que se chegue a uma solução que não signifique jogar na rua da
amargura milhares de portuários e suas famílias.
Nesta
terça-feira (6), a partir das 9h, a pedido do senador Paulo Paim
(PT-RS), será realizada
Audiência Pública no Senado Federal, para tratar especificamente da
situação do Portus.
Os
portuários do Brasil inteiro prometem “invadir” Brasília para
acompanhar a audiência. Da cidade que abriga o maior porto do
Hemisfério Sul saíram três ônibus lotados de portuários.
“Vamos propor
nessa audiência pública que o processo de liquidação do Portus seja
suspenso por 90 dias. Nesse período, um grupo de trabalho deve ser
criado para discutir e encaminhar propostas visando solucionar ou
pelo menos amenizar essa situação”, informa o presidente do
Sindicato da Administração Portuária de Santos, Everandy Cirino.
Também estarão no próximo dia n/, em Brasília,
portuários do Rio de Janeiro, Vitória, Bahia, Belém do Pará, Maceió,
Natal, Manaus, Maranhão.
Os portuários
prometem fazer muito barulho em defesa do Portus.
Caravana de portuários sai de Santos domingo à noite rumo a
Brasília
O
presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos, ressalta que a
audiência no Senado, marcada pelo senador Paulo Paim (PT), contará
com a participação de aproximadamente 500 trabalhadores portuários
vinculados ao Portus, sendo que 120 são de Santos.
No último dia 04/05, três ônibus sairam de Santos rumo a Brasília
com portuários que vão participar de audiência pública no próximo
dia 06/05 sobre a situação do Portus, fundo de pensão dos empregados
das Companhias Docas. Os trabalhadores são filiados ao SINDAPORT
(Sindicato dos Empregados na Administração Portuária), Sindicato dos
Conferentes de Capatazia e à Associação de Participantes do Portus (APP).
A caravana saiu às 20 horas da frente da APP-Santos, que fica na rua
Osvaldo Cruz, 102, no bairro do Boqueirão.
O presidente do SINDAPORT, Everandy Cirino dos Santos, ressalta que
a audiência no Senado, marcada pelo senador Paulo Paim (PT), contará
com a participação de aproximadamente 500 trabalhadores portuários
vinculados ao Portus, sendo que 120 são de Santos. 'Estamos fazendo
várias mobilizações políticas e sociais para evitar a liquidação do
Portus. Se isso ocorrer serão prejudicados 8.515 portuários, entre
participantes e assistidos do fundo de pensão, o que representa
quase 40 mil pessoas contando com os familiares. Só aqui em Santos
serão atingidas quase 20 mil pessoas'. A audiência pública será na
terça-feira, às 9 horas.
Porém, no dia 05/05, está prevista uma reunião entre sindicalistas e
o deputado federal Michel Temer, presidente nacional do PMDB. O
encontro foi viabilizado pelo prefeito de Santos, João Paulo Tavares
Papa. 'Estivemos com o prefeito nesta semana e ele demonstrou estar
bastante preocupado com a crise do Portus, que afeta diretamente a
situação econômica de centenas de portuários da cidade', diz
Everandy Cirino.
O presidente do SINDAPORT também ressalta que na tarde de
quarta-feira o prefeito de Santos ligou para o secretário de
Assuntos Portuários, Sérgio Aquino, que está em viagem ao exterior
acompanhado do ministro de Portos, Pedro Brito. 'Papa nos disse que
foi explicado ao ministro sobre a mobilização dos portuários e Brito
se comprometeu a assim que retornar ao Brasil reunir representantes
do Ministério do Planejamento, da Previdência Social e da Secretaria
de Previdência Complementar para tratar da situação do Portus'.
Segundo Everandy Cirino, o Portus possui uma dívida acumulada de
mais de R$ 1,5 bilhão porque as empresas patrocinadoras (Companhias
Docas) há anos não têm honrado seus pagamentos. Por essa razão, o
fundo de pensão corre o risco de entrar em processo de liquidação no
prazo de 30 dias. 'Vamos propor nessa audiência pública que o
processo de liquidação do Portus seja suspenso por 90 dias. Nesse
período, um grupo de trabalho deve ser criado para discutir e
encaminhar propostas visando solucionar ou pelo menos amenizar essa
situação', enfatiza o presidente do SINDAPORT.
Everandy Cirino explica que para evitar a liquidação do fundo de
pensão dos portuários não basta apenas o saldamento da dívida.
Segundo ele, é preciso criar um novo modelo de gestão para o Portus,
um novo plano de benefícios e até discutir a mudança da sede do
Instituto para Brasília ou para Santos. 'Não há motivos para a sede
do Portus continuar no Rio de Janeiro se o maior porto contribuinte
é Santos e todas as decisões são tomadas em Brasília', argumenta.
Em relatório anual emitido pela Codesp (Companhia Docas do Estado de
São Paulo), a empresa cita sobre o Portus que 'foram finalizados os
estudos que visam o necessário equacionamento de seu passivo
atuarial, sendo sugeridas as seguintes medidas a serem implementadas
por todas as Patrocinadoras, com a devida anuência do governo
federal: Saldamento do Atual Plano de Benefícios; Criação de um novo
Plano de Benefícios para os participantes ativos; Reavaliação dos
Investimentos; Novo modelo de Gestão da Entidade PORTUS'. No
documento, a Codesp reitera ainda que 'aprovou os citados estudos
para implementação do novo plano de benefícios e comunicou aos
órgãos responsáveis. Com a implantação desse novo plano de
benefícios, o atual será saldado, com o seu déficit atuarial podendo
ser assumido pelas patrocinadoras, desde que conte com a
participação da União, acionista majoritária, que efetuaria aportes
financeiros nas empresas, através do oferecimento de títulos
federais, de forma gradual e escalonada'.
'Todas a comunidade portuária envolvida e o Governo conhecem a
situação do Portus e os motivos que levaram o fundo de pensão para
esse buraco. Os trabalhadores confiaram nessa fundo de previdência e
agora não podem ser prejudicados com a sua liquidação', diz.
No entanto, Everandy Cirino questiona que apesar da grave crise
vivida pelo Portus, há dirigentes de Companhias Docas que não estão
dando a devida atenção ao assunto. 'O que esses dirigentes estão
esquecendo é que também podem ser penalizados pela situação do
Portus. Diretores das Companhias Docas e do Portus e membros do
Conselho Deliberativo do fundo de pensão que estiveram no cargo nos
últimos dois anos podem ter os bens indisponíveis durante o processo
de liquidação do Portus até que tudo seja resolvido. Por isso, esse
assunto merece a atenção de todos', analisa.
Em ofício encaminhado ao presidente do Portus, Eduardo Celso de
Araújo Marinho, em 16 de abril, o presidente do SINDAPORT e o
presidente da Associação de Participantes do Portus (APP-Santos),
Odair Augusto de Oliveira, relataram que dezenas de participantes
estão aflitos e procurando as entidades em busca de esclarecimentos
e informações.
O diretor-tesoureiro do SINDAPORT, Valdir Pfeifer da Silva Jr,
explica que caso ocorra realmente o processo de liquidação do Portus
todos os pagamentos serão suspensos e será feito um levantamento
sobre quanto cada participantes tem direito. 'Temos informação de
que o dinheiro em caixa hoje não daria para pagar nem 10% do que os
assistidos (aposentados e pensionistas) recebem. No caso dos
participantes que estão na ativa, a contribuição deles será suspensa
e tudo o que já pagaram estará perdido'.
Para Pfeifer, o caminho mais fácil para o Portus seria um acordo
entre o Instituto e o Governo sobre a ação que tramita na Justiça e
cobra a dívida da Portobrás, de aproximadamente R$ 700 milhões. 'Se
um acordo sobre o valor a ser pago for firmado, o Portus poderá ter
um prazo de sobrevivência para encontrar outras soluções para sua
crise financeira', afirma Pfeifer.
CONSAD - O vice-presidente do SINDAPORT e representante dos
trabalhadores no Conselho de Administração da Codesp (Consad), João
de Andrade Marques, solicitou na semana passada durante reunião do
Conselho que a situação do Portus, enfocando a cobrança da Reserva
de Tempo por Serviço Anterior (RTSA), fosse colocada em pauta. 'Pedi
para o assunto fosse abordado embora não estivesse na pauta. A
dívida referente a RTSA somente da Codesp chega a R$ 750 milhões.
Essa dívida existe porque logo que o Portus foi criado muitos
companheiros que aderiram ao fundo se aposentaram sem que tivessem o
tempo mínimo de contribuição. Esse tempo de contribuição, que não
foi obedecido, deveria ser pago pela Companhia Docas e não foi'.
BENS DA CODESP - Caso nenhuma das alternativas mencionadas tenha
sucesso, o presidente do SINDAPORT não descarta a ocupação dos bens
e áreas da Codesp e o ingresso na Justiça para evitar a liquidação
do Portus e responsabilizar os dirigentes das Autoridades Portuárias
e o Governo Federal sobre essa grave crise. 'Também vamos marcar uma
assembléia para informar a categoria sobre o que foi definido em
Brasília', finaliza.
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