Pagamentos de avulsos chegam a quase R$ 200
milhões em 2008
O Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo)
injetou quase R$ 200 milhões na economia da região no ano passado,
somente com o pagamento de remunerações e benefícios aos
trabalhadores avulsos do Porto de Santos. Também foram gastos R$
64,2 milhões em impostos previdenciários e sindicais.
O total de recursos destinados aos trabalhadores vai na contramão da
movimentação de cargas no porto. Enquanto o valor das remunerações
cresceu 3% no último ano, em relação a 2007, as projeções da Codesp
(Autoridade Portuária de Santos) indicam que o fechamento de 2008
apontará uma queda de 2,1%, totalizando 79,1 milhões de toneladas,
1,6 milhão a menos do que o registrado no ano anterior.
Conforme o balanço de 2008 do Órgão Gestor, foram pagos em MMO
(Montante de Mão-de-Obra, a remuneração por trabalho exercido) R$
150,6 milhões. No ano anterior, esse número foi de R$ 145,6 milhões.
Aproximadamente 60% do valor R$ 89 milhões foi direcionado aos
estivadores, a maior categoria do porto. Depois, R$ 21,5 milhões
foram pagos aos operários portuários pelos serviços prestados no
último ano.
Na sequência, os conferentes ganharam R$ 9,5 milhões e os
trabalhadores do bloco, R$ 9,1 milhões. Guindasteiros (com R$ 7,9
milhões), vigias (R$ 5,8 milhões), funcionários ligados ao Sindaport
(R$ 2,8 milhões), consertadores (R$ 2,2 milhões) e rodoviários (R$
1,6 milhão) dividiram a outra parte da folha de pagamento do Ogmo de
Santos.
Para chegar a esses valores, a entidade teve que engajar
profissionais em 910.727 atividades, num total de 177.664
requisições feitas por operadores portuários.
Para o superintendente do Ogmo, Nelson De Giulio, o crescimento no
valor dos pagamentos aconteceu por dois motivos. Primeiro, porque há
uma redução natural de 5% do quadro de avulsos por ano. Ele lembrou
que há sempre baixas por aposentadoria, mortes ou afastamento.
"Então cai o número de pessoas no sistema e aumenta a fatia de cada
um".
A segunda causa, e "talvez mais significativa", foi a assinatura da
convenção coletiva de trabalho entre o Sindicato dos Operadores
Portuários (Sopesp) e os avulsos. "Havia 10 anos sem uma convenção,
só acordos individuais. A partir desta, que foi assinada em 1º de
março do ano passado, todo mundo saiu ganhando e houve reflexo nos
pagamentos", disse De Giulio.
BENEFÍCIOS
O total entregues aos avulsos ainda inclui os pagamentos de R$ 8,7
milhões em vale-refeição e R$ 6,8 milhões em vale-transporte,
praticamente os mesmos valores de 2007.
Além dos recebimentos pelo serviço realizado, os avulsos também
tiveram mais R$ 12,4 milhões reservados para o 13º salário. Mais uma
vez, esses benefícios repetiram a cifra do ano anterior.
Só os estivadores levaram R$ 8,2 milhões do bolo, seguidos mais uma
vez pelos operários portuários, que receberam R$ 1,7 milhão.
Para quitar as férias dos avulsos, o órgão gestor liberou R$ 16,6
milhões. A estiva ficou com R$ 10, 9 milhões.
IMPOSTOS
O Ogmo também pagou R$ 64,2 milhões em impostos previdenciários e
sindicais, valor superior em R$ 900 mil na comparação com os 12
meses de 2007.
Foram R$ 50,2 milhões em Guias de Recolhimento da Previdência Social
(GRPS), sendo que destas, R$ 33 milhões foram reservados para os
estivadores. Já os operários foram beneficiados com R$ 7,1 milhões.
Em 2007, o GRPS dos portuários foi de R$ 49,3 milhões.
Quanto ao depósito do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS),
as despesas do Ogmo chegaram a R$ 14 milhões, o mesmo valor
registrado em 2007. Novamente, os estivadores lideraram o repasse,
com R$ 9,4 milhões. Em segundo lugar, ficaram os operários, com R$ 2
milhões. As outras seis categorias de avulsos do porto tiveram o
total recolhido para o FGTS variando entre R$ 148 mil e R$ 885 mil.
Fonte: A Tribuna, Santos/SP