Embarque de frutas deverá crescer 50% no Porto de Natal
O
volume de frutas embarcado pelo Porto de Natal deverá aumentar em 50% este ano,
puxado por exportadores que estavam escoando a produção por Pecém, no Ceará,
mas que decidiram fazer o caminho de volta, atraídos por perspectivas de
incentivos do governo e por melhorias na infraestrutura do porto. A estimativa é
do presidente da Companhia Docas do RN, Emerson Fernandes, e, se concretizada,
vai significar para Natal embarcar 180 mil toneladas de frutas, contra as 120
mil toneladas embarcadas na safra anterior. O melão deverá representar 70% desse
volume.
Num
momento em que os fruticultores planejam reduzir a oferta no exterior, como
forma de segurar os preços no mercado, a volta dos exportadores chega como
alento ao porto. “Não seremos afetados pela redução. Vamos ter incremento. Os
embarques estão prometendo muito este ano”, frisa Fernandes.
Ele diz que as exportações tiveram início no último sábado, quando 60 conteineres, representando algo em torno de 1,8 mil toneladas de frutas,
seguiram de Natal para a Europa. A expectativa é que o ritmo dos embarques
aumente entre os meses de setembro e outubro, acelerado pelo pico da safra no
campo e pela recuperação de cargas que saíam pelo estado vizinho. “Estamos
recebendo de volta 60% dos exportadores”, continua o presidente da Codern,
responsável por administrar os portos de Natal e Areia Branca.
Voltando
De acordo com ele, a secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico conseguiu
dar celeridade ao processo de pagamento de créditos da Lei Kandir, que é de
direito dos exportadores, mas vem sendo sistematicamente atrasado, levando
muitos deles a optar por cruzar a fronteira, rumo aonde recebem em dia o
incentivo. Melhorias feitas na infraestrutura do porto também teriam servido de
chamariz aos que debandaram. Ao todo, R$ 4 milhões foram investidos para ampliar
o número de tomadas que fornecem energia para os conteineres refrigerados e para
melhorar a pavimentação do pátio. Os investimentos repercutiram bem entre os
produtores. Só a Cooperativa de Fruticultores da Bacia Potiguar (Coopyfrutas),
que conta com 27 associados, com áreas de produção em Mossoró, Baraúnas, Tibau e
Aracati, pretende embarcar 60% da produção pelo porto natalense. No ano passado,
quando exportou 24 mil toneladas de melão e melancia, principalmente para a
Europa, o volume não chegou a 10%. “Não havia infraestrutura”, justifica
Francisco Vieira da Costa, um dos membros da cooperativa.
Ele diz que, este ano, em função da crise e da necessidade de ajustes com o
aumento de custos de produção, o volume vendido ao exterior deverá ser reduzido
em cerca de 10%. “Mas o que vamos enviar sairá principalmente daqui, por conta
da recente facilitação da logística”, continua, dizendo, no entanto, que é
necessário, porém, aumentar o espaço para a movimentação do porto. A Codern
estima que em 2010 a ampliação seja possível, com a construção de um novo pátio
onde está hoje alojada a comunidade do Maruim. As frutas representam 1/3 das
cargas movimentas pelo porto.
Fonte:
(Tribuna do Norte-Natal/RN)