Qual o tamanho do pré-sal?
As reservas de petróleo descobertas abaixo da camada de sal no litoral
brasileiro se estendem por cerca de 800 km, de Santa Catarina ao Espírito Santo,
e chegam a ter 200 km de largura, em uma área de 112 mil km quadrados. Para
atingir as jazidas de óleo e gás, entre 5 mil e 7 mil m de profundidade, é
preciso perfurar até 2 mil m de sal, sob uma lâmina d'água entre 1 mil e 3 mil
metros de profundidade.
Até o momento apenas as áreas de Tupi e de Iara (na Bacia de Santos) e do Parque
das Baleias (na Bacia de Campos) tiveram avaliação que permitiu estimativas de
volumes recuperáveis. A Petrobras avalia que as três áreas podem produzir pelo
menos 9,5 bilhões de barris, podendo chegar a 14 bilhões de barris, o que
corresponde às reservas atuais da Petrobras no Brasil.
Se forem confirmadas as estimativas, o Brasil dobraria o volume de suas reservas
de petróleo e ultrapassaria o Catar, a China e os Estados Unidos, que possuem
15,2 bilhões, 16 bilhões e 20,9 bilhões de barris de petróleo cru, segundo dados
de 2008 da Agência Central de Inteligência americana (CIA). Com isso, o Brasil
passaria para a 12ª posição do ranking da agência, que é liderada pela Arábia
Saudita (266 bilhões de barris).
De acordo com o Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), um campo com as
dimensões de Tupi, com reservas estimadas entre 5 e 8 bilhões de barris de
petróleo equivalente, necessitaria de investimentos da ordem de US$ 50 bilhões
durante sua vida útil. Considerando-se as informações ainda preliminares
disponíveis, o instituo prevê que os investimentos totais para desenvolver todo
o pré-sal brasileiro podem ultrapassar US$ 1 trilhão.
Nos últimos dois anos, somente a Petrobras investiu aproximadamente R$ 1,7
bilhões na perfuração de 15 poços que atingiram as camadas pré-sal. Oito já
foram testados e indicaram presença de petróleo leve de alto valor comercial e
grande quantidade de gás natural associado, mas ainda não tiveram comercialidade
declarada à Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Desafios
O maior desafio para a exploração das novas reservas é a camada de sal, que sob
alta pressão e alta temperatura se comporta como um material plástico, o que
exige o desenvolvimento constante de tecnologias. O primeiro poço perfurado pela
Petrobras na área demorou mais de um ano e custou US$ 240 milhões.
Outro desafio é a distância de cerca de 230 km do litoral brasileiro. O petróleo
produzido pode ser produzido e escoado direto das plataformas para navios e
transportados para terra. Já o gás natural só pode ser escoado por dutos. Por
navios o gás somente pode ser transportado depois de liquefeito.
Fonte:(Agência Terra)