Falta de soldadores faz empresa
de Pernambuco buscar dekasseguis no Japão
A necessidade de contratar mão de
obra experiente fora do Brasil se deve ao curto prazo para atender às encomendas
de navios e do casco da plataforma P-55, da Petrobras. O João Cândido, primeiro
navio fabricado pelo estaleiro, deve ser entregue em março para a Transpetro,
braço logístico da Petrobras.
A escassez de profissionais qualificados é uma das principais
dificuldades enfrentadas atualmente em Ipojuca e toda a região de Suape, que
luta para transformar trabalhadores canavieiros em operários tecnicamente
capacitados - consequência do crescimento acelerado da economia da região, que
também resultou em falta de moradias.
O paulista Euclides Minoru Yamaoka, 41 anos e pai de três filhos, foi o
primeiro dessa leva a chegar a Suape, em agosto de 2009, depois de 19 anos de
imersão na cultura e na rotina profissional japonesas. O recomeço no Brasil,
recorda, foi cheio de estranhamentos e adaptações. "O japonês é muito técnico,
detalhista. Brasileiro é mais indisciplinado", analisa.
O retorno foi motivado principalmente pela preocupação com o futuro, que
o fez aceitar a proposta de emprego mesmo por um salário menor - em Ipojuca, o
salário médio de um soldador é entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil.
"Lá eu ganhava a hora trabalhada. O que me preocupava era aposentadoria,
apesar de estar pagando o INSS aqui. Quem vive com INSS? O que iria fazer quando
não conseguisse mais trabalhar?" Hoje, diz que seus filhos e a esposa já se
habituaram ao clima e idioma. "Eles gostam mais daqui do que de lá", conta.
Campanha em outros estados
Para sanar as persistentes dificuldades de contratação em 2011, o
estaleiro adotou nova estratégia. Desde 2 de janeiro, colocou anúncios em
jornais de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa
Catarina, Amazonas, Pará e Bahia. O objetivo, desta vez, é contratar 1.200
funcionários entre soldadores, montadores, engenheiros, projetistas e
supervisores de produção. Atualmente, o EAS tem 4700 empregados.
Na tentativa de "roubar" empregados de outros centros para atuar em Suape,
o estaleiro investe em benefícios e facilidades de transferência, como auxílio
moradia, ajuda de custo para a mudança e chance de entrevista de emprego para
familiares.
Trabalho e qualidade de vida
A oferta de trabalho abundante é chamariz também para profissionais
especializados que ocupam cargos de gerência e chefia, como Paulo Ferreira, 56
anos, de São José do Rio Preto (SP). Ao longo da carreira ele já morou em
grandes centros, mas optou pela região de Ipojuca em busca de mais qualidade de
vida e, principalmente, porque queria morar perto da praia.
O trabalho, no entanto, pesa na decisão: ele é gerente comercial da
argentina Impsa Winds, fabricante de geradores de energia eólica que investiu
US$ 25 milhões em Suape em 2007.
"Aqui amanhece muito cedo e eu consigo ir à praia todos os dias",
comemora. "Pernambuco tem alguns problemas de infraestrutura e serviços, mas a
comida é ótima".
Em vez de morar em Recife, como fazem muitos dos executivos que vêm das
grandes metrópoles para trabalhar em Suape, optou pela vida de balneário: mora
em Enseada dos Corais, uma das faixas litorâneas de Cabo de Santo Agostinho,
cidade vizinha de Ipojuca.
O contador Elder de Souza, 38 anos, saiu de Campinas há um ano para ser
gerente financeiro da mesma empresa. Desde então mora em Recife, onde a esposa
acaba de abrir um consultório odontológico, e diz que a atual rotina é mais
agitada.
"Recife tem um ritmo mais intenso do que a maioria das cidades do
interior de São Paulo. No acesso a Suape, por exemplo, eu perco mais tempo no
trânsito do que perdia em Campinas", diz Elder, que, no entanto, está satisfeito
com a adaptação da família e as perspectivas de crescimento. "A região está
crescendo muito. Há espaço para bons profissionais".(G1)
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Fonte:pe360graus.com/Ligia
Guimarães Do G1, em Ipojuca